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Custo ambiental entrará na conta do consumidor

Em 2010, foi promulgada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que indica a obrigatoriedade do tratamento adequado de todos os resíduos pós-consumo, ou seja, tudo que consumimos deve ser reaproveitado ao máximo, devendo ser a última alternativa o uso de aterros. Segundo a PNRS, essa destinação adequada é responsabilidade compartilhada entre indústria, comércio, governo e consumidor final. Ou seja, assim como na Europa, o entendimento é de que todos os envolvidos com a disponibilização, o uso e a disposição do produto são responsáveis pelo seu impacto ambiental.

custo ambiental - Wikipedia - blog ILOS

Figura 1 – Lixões estão com os dias contados no Brasil

Fonte: Wikipedia

Nesse contexto, as indústrias de vários segmentos estão se organizando para colocar a operação de logística reversa para funcionar. Cada associação de indústrias discutiu alternativas operacionais com o governo, que definiu metas de implantação de infraestrutura de coleta para os 5 primeiros anos e uma meta inicial de volume de retorno a partir do sexto ano de operação.

Em linhas gerais, a maioria dos segmentos está se organizando através de entidades gestoras. As entidades gestoras serão responsáveis por colocar a operação de logística reversa para funcionar, contratando transportadoras, centros de distribuição, recicladoras e alinhando com o comércio a alocação de pontos de coleta. O consumidor, então, deveria levar o resíduo até o ponto de coleta, fechando, assim, o ciclo reverso.

Os custos dessa operação de logística reversa fará parte do custo do produto, dado que cada indústria terá que pagar para as entidades gestoras um valor fixo, chamado de ecovalor, para garantir a destinação adequada. Esse ecovalor pode ser integralmente ou parcialmente repassado para o consumidor final dentro do preço do produto, sendo essa decisão uma opção de cada empresa.

As entidades gestoras mais recentemente criadas foram a Reciclus (Logística Reversa de Lâmpadas) e a Green Eletron (Logística Reversa de computadores e celulares), estando ainda em etapa de organização dos testes operacionais para, em breve, iniciarem a implantação da operação de logística reversa.

Distribuição Cinematográfica: Como um filme chega a um cinema perto de você

A logística e a sétima arte – Trilogia / Parte 1

No próximo domingo, dia 28, ocorrerá a mais famosa cerimônia de premiação de produções cinematográficas, o Oscar. Você provavelmente conhece um pouco do processo de produção e pós-produção de um filme, que pode custar centenas de milhões de dólares. Porém, os filmes só existem para serem assistidos e para que isso aconteça, as imagens devem chegar de algum modo às pessoas que queiram vê-lo, seja na telona do cinema ou em suas TVs, sentadas no conforto do sofá de suas salas. Enquanto não tivermos o tele transporte como o da Enterprise, é a logística que cumpre esse papel fundamental.

Os estúdios, responsáveis por toda a produção, devem mandar o filme pronto à distribuidora, que irá divulgar, comercializar e distribuir o longa para cinemas do mundo todo. Após o término da produção, são feitas as cópias de projeção, que podem ser os tradicionais filmes de 35 mm, bem raros hoje em dia (mas que ainda foi usado para distribuir filmes como Interestelar), ou versões digitais, que são cada vez mais comuns no cinema moderno.

A distribuição em filme tradicional costuma ser um processo difícil e relativamente caro. Em uma produção de larga escala (com média de duas horas de duração), o custo de cada cópia pode chegar a U$ 2.000 e este valor é ainda maior quando colocadas as legendas para exibição em outros idiomas. Os rolos armazenam cerca de 20 minutos de projeção, o que significa que longas-metragens podem ter de 5 a 10 tiras de película. O peso total do filme e a fragilidade do papel também dificultam e encarecem a distribuição.

Senhor dos Anéis

Figura 1 – Os 558 minutos e vários rolos da trilogia O Senhor dos Anéis (2001 -2003) deram muito trabalho às transportadoras

Fonte: New Line Cinema

 

A partir do fim do século XX, começou a transição para a projeção digital. A produção de uma cópia nesse formato, que consiste em um HDD contendo o filme, é quase 50 vezes mais barata que as cópias fílmicas, fazendo com que o transporte e a armazenagem também se tornem muito mais baratos, graças principalmente às reduções de volume e peso. Além disso, os discos rígidos podem ser reutilizados para outros filmes.

Essa economia obviamente foi muito sedutora às grandes distribuidoras e às transportadoras do ramo, mas muitos cinemas se recusavam a instalar equipamentos de projeção digital pelo seu alto custo. Para distribuir a economia gerada pelo novo modelo, foi criada uma taxa que é paga semanalmente pelas distribuidoras às redes de cinema para exibição em formato digital. É uma análise interessante de como funciona uma cadeia de suprimentos bem integrada, com as novas tecnologias sendo benéficas a todos os elos.

Isso não significa que o processo em si ficou simples. O volume transportado e armazenado ainda é bastante grande, principalmente para grandes produções. Há ainda a questão da confidencialidade do material, pois um vazamento do conteúdo pode causar grandes perdas na venda de ingressos por conta da pirataria. Em apresentações para imprensa e outras exibições antes do lançamento, o transportador da película chega a ficar parado em um único cinema esperando a projeção acabar para levar o filme de volta, de forma minimizar o risco de roubo do material, um procedimento conhecido como “wait and watch” feito por operadores logísticos especializados na área.

pallets

Figura 2 – Nada ilustra melhor a logística do cinema que um pallet com filmes

Fonte: National Film Transport

 

Por esse mesmo motivo, e pelo já mencionado reaproveitamento dos HDDs, após as exibições nos cinemas, é realizada uma operação reversa de devolução do filme às distribuidoras após a janela de exibição nos cinemas. A figura abaixo mostra um esquema simplificado da operação de distribuição da cadeia cinematográfica:

cadeia cinematografica

Figura 3 – Esquema da cadeia logística cinematográfica

Fonte: ILOS

 

Apesar dessas inovações, algumas questões de marketing causaram mudanças no processo de distribuição dos filmes ao longo das décadas e também recentemente. Os cineastas e grandes estúdios têm uma pressão cada vez maior para levar seus filmes a mais mercados e em um tempo menor. Na segunda parte desta trilogia, discutiremos alguns dos desafios que o mercado apresenta à distribuição cinematográfica.

 

Referências

<http://entertainment.howstuffworks.com/movie-distribution.htm>

<https://stephenfollows.com/how-much-does-it-cost-to-release-a-film/>

<http://www.nftlogistics.co.uk/?t=WaitAndWatch>

<http://www.telegraph.co.uk/culture/culturevideo/filmvideo/11206259/Interstellar-on-an-Imax-projector-how-it-works.html>

Saindo do armário

Há algumas semanas atrás escrevi sobre algumas iniciativas de omni-channel realizadas no Brasil, que, mesmo sendo praticadas de forma isolada, sinalizavam que o país estava olhando nesta direção. Pois bem, uma matéria publicada na última edição na Revista Tecnologística indicou que mais uma prática chegará por aqui neste ano que se inicia: os lockers, uma evolução tecnológica das antigas caixas postais.

Também conhecidos como terminais inteligentes, os lockers são equipamentos de autoatendimento nos quais os consumidores podem retirar as compras realizadas online de forma prática e segura, além de poderem realizar serviços agregados como compra de ingressos e pagamento de contas. Estas máquinas, que já fazem sucesso em países como Polônia, Lituânia e Alemanha, tornaram-se ainda mais famosas com a incorporação do serviço pela gigante do varejo virtual Amazon.

O serviço conhecido como Amazon Locker existe desde 2011 nos Estados Unidos e está presente hoje em 13 grandes cidades do país. Dependendo do produto comprado, o cliente pode solicitar que o pedido seja entregue em um locker da Amazon de sua escolha. Selecionando essa opção, ele receberá um e-mail de notificação quando o produto estiver disponível no terminal, informando o horário de funcionando do locker e o código que ele deverá inserir na máquina para desbloquear o pedido. O cliente tem até 3 dias úteis para retirar o seu pacote, caso contrário o produto será recolhido pela Amazon e o valor pago reembolsado para o cliente.

Amazon Locker

Figura 1 – Amazon Locker localizado em uma loja de conveniência em Nova York

Fonte: Wikipédia

 

Até o momento não existe nenhum serviço do tipo no Brasil, mas duas empresas já se mobilizaram para iniciar as suas operações ainda em 2016 no país: a ThinPost e a InPost. O objetivo de ambas é alugar as máquinas através de pacotes flexíveis de negócio para operadores logísticos, distribuidores, varejistas e empresas de comércio eletrônico que desejam ter presença física em locais estratégicos da cidade e de grande circulação de pessoas, como shoppings, aeroportos, rodoviárias, estações de metrô e lojas de conveniência.

Uma das principais vantagens dos lockers é a comodidade que eles oferecem para os consumidores que desejam comprar online, mas não tem pessoas que fiquem em casa para receber as encomendas. No Brasil, a figura do porteiro 24h nos edifícios e condomínios ainda é muito presente, o que reduz este problema. Entretanto, fora do país isto não é tão comum. Prova disso é que na França, 60% das compras online são retiradas pelos clientes em lojas físicas.

Além disso, quando olhamos para a tendência omni-channel do varejo, os terminais inteligentes oferecem ainda um outro enorme benefício: através deles, os clientes podem devolver produtos que compraram online, mas que não gostaram ou compraram errado. Um caso interessante nesse sentido é o da varejista de moda feminina inglesa Asos, que acoplou um provador ao locker, permitindo às clientes experimentarem os modelos no momento seguinte ao recebimento dos pedidos e devolverem na hora os itens que não gostaram. Esta iniciativa permitiu à empresa reduzir os custos de logística de reversa e também o tempo de produto indisponível para venda.

Neste momento em que os consumidores buscam serviços cada vez mais completos e um maior leque de opções para facilitar a sua vida, a adoção dos lockers pode se tornar um grande diferencial para os varejistas do Brasil. Além de garantir maior satisfação para o cliente, os lockers também ajudam na otimização da operação de distribuição, pois várias entregas que antes seriam distribuídas para diferentes lugares, passam a ser entregues em um único ponto. As vantagens parecem muitas, mas será que a caixa postal 2.0 irá fazer mesmo sucesso por aqui? É esperar pra ver!

 

Referências

GIURLANI, S. A reinvenção da caixa postal. Revista Tecnologística, São Paulo, Ano XXI, n. 241, p. 52-54, dez.2015/jan. 2016

<https://www.vertexsmb.com/insights/amazon-locker-delivery-triggers-sales-tax/>

<www.amazon.com/locker>

 

Omni-channel e a logística reversa como fatores-chaves de fidelização de clientes

Omni-channel está mudando, e de maneira significativa, a forma como os clientes interagem com os varejistas. Neste ambiente, os consumidores optam livremente pelo canal de compra, assim como pela forma de receber o pedido. Eles esperam ter experiências que superem suas expectativas, independentemente de suas escolhas pelos canais de compra (ex.: compra via computadores, smartphones ou varejo tradicional) e entrega (ex.: entrega via locker, em sua residência ou retirada na loja).

Neste contexto, as altas expectativas se estendem ao processo de retorno do pedido, que, se realizado satisfatoriamente, representa uma oportunidade única para promover a fidelização de clientes. Caso contrário, esta etapa pode se tornar um “convite” para a destruição da reputação de varejistas pelos clientes, agora multiconectados via redes sociais, fomentando as vendas da concorrência.

Em um Webinar da Harvard Business Review (HBR), reproduzido no vídeo abaixo, o Professor Dale Rogers descreve por que o processo de devolução é tão importante para o sucesso de empresas líderes.

Vídeo 1 - HBR (blog ILOS) v3

Vídeo 1 – Omnichannel Retailing: Reverse Logistics and Customer Loyalty

Fonte: HBR

 

Dale Rogers é professor de Supply Chain Management da Arizona State University e líder em práticas de Sustentabilidade e Finanças em Supply Chain Management do ILOS.

DESENVOLVIMENTO DO MERCADO SECUNDÁRIO NO BRASIL E AS OPERAÇÕES DE LOGÍSTICA REVERSA

 

Além das atividades de coleta e transporte, faz parte do contexto das operações de logística reversa a destinação dos produtos.

Existem várias alternativas para destinação, dentre as quais: Outlets, leilões, intermediários, lojas de R$1.99, multimarcas, mercados de pulgas, penhor, remanufaturas/reformas e reciclagem.

O presente artigo tem com objetivo trazer uma visão geral do mercado secundário no Brasil, comparando-o com os EUA.

 

LOGÍSTICA REVERSA

Segundo Dale Rogers e Tibben-Lembke, a logística reversa pode ser organizada em 2 tipos: logística reversa de produtos e de embalagens.

 

Cada indústria tem um perfil e um volume diferente de retornos a ser tratado dentro do âmbito da logística reversa. A Tabela 1 ilustra diferenças no percentual de retorno de produtos por indústria levantadas com base em entrevistas com as empresas nos EUA (Dale Rogers e Tibben-Lembke).

 

Tabela 1 – Percentual de retorno por indústria

Tabela 1 – Percentual de retorno por indústria

 

Cada indústria tem diferentes origens para operação logística reversa, podendo ser estas:

  • Sobra de produto no estoque próprio ou de parceiros (itens não vendidos)
  • Retornos de marketing
  • Retorno referente ao fim do ciclo de vida do produto/Fim da “temporada”/”estação”
  • Retorno devido a danos de transporte
  • Retorno do consumidor/cliente devido a defeito
  • Retorno do consumidor/cliente devido às políticas de garantia de retorno
  • Recall
  • Questões ambientais de eliminação e destinação

O tratamento escolhido para cada qual dessas diferentes origens de retorno é definido com base em diferentes motivadores. Ou seja, cada empresa, a depender da percepção de impacto dos seus retornos para o negócio podem tomar diferentes decisões quanto a sua operação reversa.

A Tabela 2 ilustra os principais motivadores para logística reversa citados pelas empresas entrevistadas em pesquisa realizada nos EUA (Dale Rogers e Tibben-Lembke).

Tabela 2 – Motivadores para Logística Reversa

Tabela 2 – Motivadores para Logística Reversa

Para uma empresa de vestuário de baixo preço que tenha um volume significativo de produtos não vendidos nas lojas, pode ser uma boa alternativa colocar preços promocionais nas peças que sobraram para tentar vende-las, mesmo que a um menor preço, aproveitando que estas peças estão nas lojas, evitando assim logística reversa.

No entanto, para uma outra empresa do ramo de vestuário cujo produto seja de alto valor agregado, colocar preços promocionais muito baixos para liquidar o item não vendido na própria loja pode não ser uma boa alternativa de marketing. Muitas empresas nessas condições preferem direcionar suas sobras para canais de venda secundários, como outlets ou multimarcas, de forma a não canibalizar a venda dos demais produtos da loja ou não gerar a percepção no cliente de que o valor dos produtos da loja são muito inferiores ao preço praticado.

Nesse contexto, vale ainda indicar que em linhas gerais, os volumes de retorno são proporcionais aos volumes de venda ou, melhor, aos volumes pretendidos de venda. Nesse contexto, quanto maiores esses volumes, mas relevante é a organização das operações de logística reversa.

Observando o desenvolvimento do tema de logística reversa nos EUA, verifica-se que sua organização começou a se dar de forma mais forte há cerca de 1980. Nessa época, começaram a se formar grande operadores logísticos focados nesse tipo de operação, como a GENCO, por exemplo, assim como, começaram a surgir os outlets como forte canal secundário.

Em uma comparação simplificada, verificamos através da Figura 1 que os volumes comercializados nos EUA na década de 80 são similares aos volumes praticados no Brasil atualmente. Isso nos indica que estamos entrando em um momento econômico onde as discussões e direcionamentos das operações reversas das empresas atuantes no Brasil estão chegando em momentos relevantes.

Dentre essas discussões encontra-se a busca por alternativas para coleta, transporte e direcionamento dos volumes de retorno.

Figura 1 – Comparação do PIB Brasil, EUA e União Européia

Figura 1 – Comparação do PIB Brasil, EUA e União Européia

 

O direcionamento das sobras/retornos pode ser feito para o chamado “Mercado Secundário”.

 

MERCADO SECUNDÁRIO: Brasil vs EUA

Mercado secundário é composto por canais secundários, ou seja, por um conjunto de canais de venda alternativos para o direcionamento de retornos/sobras de forma a minimizar a canibalização das vendas nos canais primários da empresa e a viabilizar a máxima recuperação de valor dos itens retornados.

Figura 1 – Comparação do PIB Brasil, EUA e União Européia

Figura 2 – Canais do mercado secundário

 

Com base em pesquisa realizada nos EUA pelo professor Dale Rogers da Universidade de Rutgers em New Jersey e no Brasil em pesquisa realizada pelo ILOS, verificamos que a representatividade do mercado secundário nos EUA é de cerca de 2,6% do PIB enquanto que no Brasil é ainda de cerca de 0,3% do PIB.

A Figura 3 ilustra a representatividade dos canais secundários nos EUA e Brasil, excluindo os canais de remanufatura/reforma, reciclagem e disposição final.

Figura 3 – Representatividade dos Canais Secundários nos EUA e Brasil

Figura 3 – Representatividade dos Canais Secundários nos EUA e Brasil

 

INTERMEDIÁRIOS

Verificamos que a participação dos “intermediários” no mercado secundário brasileiro ainda é muito pequena.Os intermediários são as empresas que compram da indústria e/ou varejo em grandes quantidades para depois revender os produtos para canais específicos. Ou seja, em grande parte das vezes é o intermediário que faz o processo de triagem e direcionamento dos produtos para os demais canais secundários. Isso simplifica a operação para a indústria e varejo que vendem todo o volume para uma única empresa, limpando rapidamente seu canal primário e liberando espaço em seus centros de distribuição.

No entanto, nem todas as empresas direcionam seus volumes para intermediários. Algumas empresas organizam internamente seu processo de triagem e direcionamento de produtos. Em diversos casos, essa atividade é realizada por um operador logístico especializado aumentando o valor recuperado pelo direcionamento direto dos produtos.

 

LEILÃO

Um canal muito relevante no mercado secundário é o leilão. São, tradicionalmente, sites através do qual a empresa coloca o item a venda por um valor mínimo e então recebe lances pelo produto. Atualmente, em muitos desses sites de leilão, como o Mercado Livre por exemplo, as negociações baseadas em preço fixo estão crescendo mais rápido que as baseadas em preço variável (lances), já descaracterizando o título de “leilão”.

Os leilões tem sido muito utilizados, não somente para logística reversa de ativos já depreciados, mas em muitos casos de produtos com pequenos defeitos. É comum encontrar a venda conjuntos de aparelhos de microondas ou máquinas de lavar que retornaram ao varejista ou indústria devido a pequenos defeitos como riscos em sua lataria.

No Brasil o maior site de “leilão” é o Mercado Livre, cujo faturamento chega a US$1,9 bilhão. Além do C2C, o Mercado Livre diversas empresas utilizam o mercado livre como canal secundário e as vezes até como canal primário.

Sites como a Amazon também são considerados canais secundários, pois viabilizam a venda de produtos usados ou de coleções antigas, apesar de hoje já ser um espaço utilizado fortemente para hospedagem de pequenas lojas e lojas de departamentos.

 

MULTIMARCAS

 No que diz respeito ao uso de lojas multimarcas n o mercado secundário verificamos que os EUA tem, além de pequenas lojas, grandes redes como, por exemplo, a Ross Dress for Less, Marshalls e a Century 21. Essas redes trabalham com a venda de vestuário e acessórios para casa majoritariamente de coleções antigas (coleções de 2 ou mais anos atrás) para grandes marcas do mundo (Dior, Jean Paul Gaultier, Armani, etc).

Para se ter ideia do tamanho desses negócios nos EUA, vamos citar o exemplo da Ross Dress for Less que faturou em 2013 US$10,2 bilhões e tem 1.146 lojas físicas. A empresa surgiu em 1986 em São Francisco e teve crescimento acelerado entre 2001 e 2010.

A Marshalls assim como a T.J. Maxx e outras grandes lojas de descontos fazem parte do grupo TJX Companies que em 2012 já tinha mais de 900 lojas nos EUA, 3.000 lojas no mundo, chegando a um faturamento da ordem de US$26 bilhões. Para manter o link com a situação no Brasil, vale a pena citar que a T.J.Maxx, primeira loja do grupo, surgiu na década de 70, época cujo volume comercializado nos EUA era próximo do atual volume brasileiro.

No Brasil, temos ainda pequenas lojas multimarcas independentes e o início da participação de grandes players com atuação online, como o Privalia ou o Westwing. Muitas marcas ainda utilizam as lojas multimarcas quase que exclusivamente como canal primário para acesso ao consumidor de cidades pequenas, onde não valeria a pena manter uma loja própria.

 

OUTLET

Outro canal secundário muito comum nos EUA, para itens de vestuário são os Outlet Malls. Os outlets malls são shopping centers cujas lojas tem como foco a venda de coleções antigas (até 2 coleções atrás). Nesse caso, diferente dos ambientes multimarcas, o outlet possui lojas exclusivas por marca. Os EUA possuem mais de 200 outlet malls enquanto que no Brasil temos cerca de 5 atualmente.

Segundo os grandes grupos de shopping centers instalados no Brasil há previsão de crescimento de 100% no número de outlets no país nos próximos 5 anos.

 

PENHOR

Um outro canal secundário onde se verifica grande diferença entre EUA e Brasil é o penhor. Enquanto nos EUA é um canal muito comum, a relevância do penhor como mercado secundário no Brasil é pequena, principalmente, devido às restrições legais. No país, apenas a Caixa Econômica Federal é autorizada a realizar operações de penhor e só se pode penhorar jóias ou itens de alto valor. Nos EUA é possível penhorar qualquer tipo de item e há diversas lojas autorizadas a realizar o procedimento. De toda forma, o penhor é um canal reverso de uso mais comum do consumidor, havendo poucas empresas que utilizem esse canal.

 

CONCLUSÕES

O mercado secundário no Brasil está em início de desenvolvimento, podendo-se fazer um paralelo ao contexto americano da década de 80.

Devido ao aumento nos volumes de comercialização, a representatividade dos retornos/sobras deve aumentar gerando a necessidade de maior organização e esforço nas operações de logística reversa.

Com o crescimento das operações reversas um desafio mais forte começa a existe e a fomentar o mercado secundário: a necessidade de alternativas para direcionamento dos retornos/sobras de forma a recuperar o máximo de valor possível sem canibalizar os canais primários.

No âmbito desse mercado, verificou-se o desenvolvimento de seus diversos canais, sendo os mais os leilões e outlets os com maiores tendências de crescimento.

As redes de multimarcas, principalmente as online, também demonstram potencial de crescimento no país, mas acabam por depender do desenvolvimento de bons intermediários para se estabelecer com bom posicionamento e não se encontra grandes intermediários no Brasil nesse momento.

Em linhas gerais, pode-se imaginar, o desenvolvimento do mercado secundário brasileiro em linha com o histórico americano o que traz grandes desafios e oportunidades para os profissionais e empresas envolvidos com o tema.

PANORAMA DE LOGÍSTICA REVERSA DE RESÍDUOS PÓS-CONSUMO NO BRASIL

A destinação de resíduos pós-consumo é um tema que tem sido discutido mundialmente nas últimas décadas e tem feito parte de um contexto de migração e compartilhamento de responsabilidades, antes entendidas como estritamente governamentais, para a indústria.

A legislação da União Europeia sobre o assunto já considera a indústria no centro das decisões quanto à destinação dos resíduos gerados por seus produtos, mesmo após seu uso pelo consumidor. Nos Estados Unidos, não tem sido diferente na maioria dos estados. No Brasil, em 2010, foi promulgada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que também aponta para essa direção.

Figura 1 - Evolução da legislação quanto à responsabilidade sobre a destinação adequada de resíduos

Figura 1 – Evolução da legislação quanto à responsabilidade sobre a destinação adequada de resíduos
Fonte: ILOS, 2012

 

Nesse contexto, a indústria atuante no Brasil está discutindo junto ao governo qual a melhor forma de coletar e destinar os resíduos pós-consumo, quais suas implicações em custos, preços e quais suas necessidades de apoio.

O presente artigo tem o objetivo de trazer uma breve visão da situação brasileira quanto ao desenvolvimento e planejamento das operações de logística reversa de resíduos.

 

Destinação de resíduos pós-consumo nas empresas brasileiras

As primeiras legislações sobre gestão de resíduos tiveram maior impacto sobre a destinação de resíduos industriais, abrangendo posteriormente a destinação de resíduos comerciais e, atualmente, resíduos pós-consumo (Tabela 1).

Tabela 1 - Histórico da legislação ambiental brasileira e suas implicações para as empresas

Tabela 1 – Histórico da legislação ambiental brasileira e suas implicações para as empresas
Fonte: Autoras

 

Considerando esse contexto legislatório, verifica-se que as empresas atuantes no Brasil têm diferentes graus de implementação de ações para gerenciamento de resíduos.

Figura 2 - Representatividade de empresas que realizam atividades de logística reversa de resíduos e principais motivadores

Figura 2 – Representatividade de empresas que realizam atividades de logística reversa de resíduos e principais motivadores
Fonte: ILOS, 2012

 

As ações relacionadas ao tratamento de resíduos industriais já estão mais bem direcionadas que as demais, em virtude do fato de as legislações sobre o tema serem mais antigas e as penalidades terem melhor definição. Em menor estágio de desenvolvimento, está o direcionamento dos resíduos pós-consumo, cuja legislação foi promulgada recentemente e ainda está em período de detalhamento de metas e penalidades.

Segundo pesquisa realizada pelo ILOS em 2012, quando se trata do direcionamento dos resíduos pós-consumo, as atividades são realizadas, principalmente, pelas áreas de Meio Ambiente/Sustentabilidade e Logística das empresas, sendo que a área de Meio Ambiente é responsável em 27% dos casos e a de Logística, em 22%. Em 5% das empresas, as duas áreas atuam de forma conjunta. Isso vem do fato de a destinação dos resíduos industriais ter sido o primeiro marco legal promulgado no país e, para seguir corretamente as recomendações, várias empresas criaram a área de Meio Ambiente. A Logística participa dessas atividades quando as operações de coleta e destinação de resíduos são mais complexas e exigem um maior apoio técnico.

 

Cadeia reversa para destinação de resíduos pós-consumo no Brasil

Como já é sabido, a operação para destinação dos resíduos pós-consumo envolve diferentes agentes. Segundo a pesquisa do ILOS, os operadores logísticos e fornecedores de matérias-primas são, atualmente, os principais agentes dessa cadeia reversa, sendo utilizados por mais de 90% das empresas que executam alguma operação deste tipo no país.

Figura 3 - Stakeholders envolvidos no processo de LR pós-consumo

Figura 3 – Stakeholders envolvidos no processo de LR pós-consumo
Fonte: ILOS, 2012

 

Destaca-se que algumas empresas têm tido dificuldade de incluir, no processo de destinação de resíduos, alguns agentes, como as cooperativas de catadores (que fazem parte de apenas 26% das operações atuais) e o varejo (que está presente em 53% dos casos).

A dificuldade de inclusão de cooperativas de catadores no processo de destinação de resíduos pós-consumo está fortemente relacionada com o fato de elas não serem reconhecidas pelas empresas como agentes de operação independentes, tendo necessidade de apoio para implantação de estrutura física e de gestão. Já no caso do varejo, a principal dificuldade está na organização do mercado secundário de resíduos no Brasil, reconhecido como um mercado de baixo desempenho.

A alocação lucrativa do resíduo no mercado secundário é uma atividade que exige uma expertise de mapeamento de oportunidades e a construção de uma rede de contatos de alta complexidade de execução. Nos Estados Unidos, empresas como a Genco oferecem serviço de alocação lucrativa, serviço este por ora não disponível no mercado brasileiro.

Figura 4 - Principais dificuldades para implementação da operação de LR pós-consumo

Figura 4 – Principais dificuldades para implementação da operação de LR pós-consumo
Fonte: ILOS, 2012

 

Ainda tendo em vista as dificuldades encontradas para a implantação de operações reversas, temos o fato de que os resíduos de pós-consumo podem ter uma dispersão geográfica muito maior que a existente na cadeia de abastecimento, pois podem ser resíduos domiciliares. Essa alta dispersão leva à busca de escalabilidade em volume para redução dos custos unitários.

O custo operacional da cadeia reversa é altamente relevante, considerando-se que o valor agregado do resíduo é baixo, sendo difícil reaver os gastos pelo processo de recuperação e venda do material coletado.

A obtenção da escala de volume necessária para redução dos custos está fortemente relacionada com o desenvolvimento de ações conjuntas entre as empresas, exigindo, dessa forma, esforço para a construção de parcerias ou até mesmo para a construção/ identificação de agentes consolidadores.

Apesar dos possíveis custos adicionais para a operação reversa, apenas 36% das empresas imaginam que os preços dos produtos serão impactados em decorrência de sua implantação; contra 27% de empresas que acreditam na possibilidade de redução dos preços e 37% que acham que não haverá alteração.

Essa situação pode ser entendida sob a luz das diferentes oportunidades de mudança de posicionamento de mercado que as empresas de cada setor vislumbram:

  • Absorver os custos da operação reversa dentro da margem do produto em prol de benefícios de imagem que possam aumentar sua competitividade no mercado;
  • Obter ganhos com a venda ou reuso dos resíduos que possibilitem a redução de preços;
  • Oportunidade de reposicionamento de preços dos produtos que têm operação reversa, considerando esta uma atividade agregadora de valor ao produto;
  • Repasse de custos para o preço dos produtos, dado que o custo unitário ocorrerá para todas as empresas do segmento.

 

Estágio atual de implantação de operações de logística reversa no Brasil

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), promulgada em 2010, prevê a obrigatoriedade de criação de um sistema de logística reversa, instituindo a responsabilidade compartilhada pela disposição final correta dos resíduos gerados a sete classes distintas de resíduos: 1) embalagens e resíduos de agrotóxicos, 2) pneus, 3) embalagens e resíduos de óleos lubrificantes, 4) produtos e componentes eletrônicos, 5) pilhas e baterias, 6) lâmpadas fluorescentes (vapor sódio, mercuriais e mistas) e 7) embalagens.

Nesse contexto, a logística reversa passa a ser responsabilidade dos produtores e, em decorrência disso, as empresas vêm buscando integrar suas operações pós-consumo por meio das associações setoriais. Desse modo, encontram sinergias para aumentar a área geográfica atendida pelo programa e o volume de resíduos coletados e destinados adequadamente, reduzindo o custo da operação reversa e facilitando sua gestão, entre outros benefícios.

Dessa nova necessidade, surgem as entidades gestoras, com o objetivo de controlar integralmente a cadeia reversa de resíduos pós-consumo e garantir que as metas de coleta e destinação estabelecidas junto ao governo sejam cumpridas ao menor custo.

É importante ressaltar a existência de diferenças no nível de maturidade da cadeia reversa das diversas classes de produtos descritas como obrigatórias na PNRS. Como mostra a Figura 6, até o momento, já há processos estruturados para “embalagens e resíduos de agrotóxicos” e “pneus”, ambos coordenados por entidades gestoras – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) e Reciclanip, respectivamente. Vale citar que ambas as classes foram regulamentadas há cerca de dez anos, com base em resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), passando por um processo diferenciado de implantação.

Figura 5 - Desenvolvimento da logística reversa de pneus

Figura 5 – Desenvolvimento da logística reversa de pneus
Fonte: Autoras

 

Figura 6 - Estágio de discussão sobre o plano de implementação de logística reversa por itens

Figura 6 – Estágio de discussão sobre o plano de implementação de logística reversa por itens
Fonte: Autoras

 

Esses dois casos seguem modelos semelhantes para a operacionalização da logística reversa. Em ambos, a coleta ocorre por intermédio de pontos de recebimento, a partir dos quais é feita a triagem dos resíduos que serão destinados adequadamente (reuso, incineração, geração de energia e novos insumos, entre outros).

Para o setor de pneus, os principais fatores de sucesso na implantação dessa iniciativa foram: a existência de um marco regulatório, o desenvolvimento de uma solução pela associação do setor (Anip), a constituição de entidade gestora independente (Reciclanip) e o reconhecimento, pelos consumidores, da importância do trabalho num contexto de sustentabilidade.

O Inpev iniciou suas atividades em 2002, tendo investido desde então mais de R$ 450 milhões e coletado cerca de 220 milhões de toneladas de embalagens vazias. Atualmente, a operação do instituto coleta e destina cerca de 80% do total de embalagens comercializadas, chegando a 94% para embalagens plásticas, constituindo-se numa referência mundial.

Com exceção das embalagens de agrotóxicos e pneus, as demais classes de produtos ainda estão em etapa de discussão de alternativas com o governo, mediante as associações de classe, sobre a regulamentação (metas, penalidades) da PNRS, não havendo, portanto, um processo unificado e nacional instituído.

A Abinee é a associação que está liderando junto ao governo as discussões com relação às pilhas e baterias e aos produtos e componentes eletrônicos. Esses setores têm encontrado dificuldades na discussão com o governo para definição da meta de representatividade do volume total a ser coletado. Essa dificuldade se dá, principalmente, pelo fato de haver no mercado brasileiro um volume significativo de produtos piratas. O alinhamento entre as empresas associadas para desenho de uma operação conjunta é também uma dificuldade, pois há uma visão de que uma operação única reduzirá a percepção do cliente quanto às vantagens ambientais relacionadas ao produto, podendo impactar em mudança no market share.

Em paralelo às discussões com o governo, empresas e grupos de empresas estão trabalhando em iniciativas independentes para a logística reversa dos resíduos de pós-consumo.

No que tange às embalagens, a Tetra Pak tem investido na educação voltada à coleta seletiva por meio de folhetos educativos e do site Rota da Reciclagem, além da capacitação de cooperativas e da instalação de pontos de coleta. Com esse trabalho, a empresa tem chegado a coletar e destinar adequadamente cerca de 20% das embalagens colocadas no mercado, auxiliando ainda na geração de renda para as cooperativas.

Além dos setores citados na PNRS, outros serão chamados para participar do processo nos próximos anos, como o de medicamentos, convocado para o processo em 2012.

 

Conclusões

A implantação de operações de logística reversa de resíduos pós-consumo está sendo impulsionada no Brasil, principalmente, pelo desenvolvimento legislatório sobre o tema e pela atração dos consumidores por ações voltadas à sustentabilidade.

Nesse contexto, nos próximos anos, devemos observar mudanças significativas na área de gerenciamento de resíduos sólidos urbanos no país, no desenvolvimento de setores relacionados ao tema e no modus operandi das competições por mercado.

 

Referência bibliográfica

ILOS, Panorama Brasileiro de Logística Reversa de Resíduos Pós-Consumo, apresentação realizada por Gisela Sousa, Mega Sessão: XVIII Fórum Internacional de Logística, agosto/2012*

*Participaram da Mega Sessão: Fernando Von Zuben, diretor de Meio Ambiente América Latina da Tetra Pak; Fabio Neiva, gerente de Logística América Latina da Goodyear; André Cordeiro, diretor de Supply Chain América Latina da FMC Corporation; André Saraiva, diretor da Área de Responsabilidade Socioambiental da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e diretor execu- tivo do Programa de Responsabilidade Ambiental Compartilhada (PRAC); Edgar Blanco, diretor de Pesquisa no Centro de Transportes e Logística do Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA; moderados por Dale Rogers, líder de Práticas em Sustentabilidade e Logística Reversa do ILOS e professor da Universidade de Rutgers.

LOGÍSTICA REVERSA DE RESÍDUOS NÃO INDUSTRIAIS PÓS-CONSUMO

A logística reversa é um tema de importância crescente que vem alterando a dinâmica do mercado e preocupando as empresas, o governo e a sociedade. Diversos motivos impulsionam a relevância deste tema, tais como a redução do ciclo de vida dos produtos, o avanço da tecnologia da informação, o aumento do comércio eletrônico e a conscientização da necessidade de um desenvolvimento sustentável, principalmente relacionada à escassez de recursos e à poluição ambiental.

Pode-se definir a logística reversa como “o processo de planejamento, implementação e controle da eficiência, custo efetivo do fluxo de matérias-primas, estoques em processo, produtos acabados e informações relacionadas do ponto de consumo ao ponto de origem, com o propósito de recuperação de valor ou disposição adequada” (ROGERS; TIBBEN-LEMKBE, 1998). Este fluxo reverso pode ser classificado em dois tipos (Figura 1): de bens pós-venda e de resíduos pós-consumo, ambos com o mesmo objetivo – recuperação de valor, seja econômico, de prestação de serviços, ecológico, legal, logístico ou de imagem corporativa (LEITE, 2009).

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Figura 1: Tipos de fluxo reverso

 

A logística reversa de resíduos (LRR) pós-consumo é a área de atuação da logística reversa responsável pela gestão e operacionalização dos fluxos físicos e de informações correspondentes aos bens descartados depois de finalizada sua utilidade original pelo primeiro possuidor, retornando ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo (LEITE, 2009).

Os resíduos pós-consumo podem ter origem industrial ou doméstica, sendo que o primeiro caso já se encontra em estágio mais desenvolvido de gestão. Isto se deve à existência de regulamentações relacionadas desde 1975, como o decreto de lei N° 1.413, que dispõe sobre o controle da poluição do meio ambiente provocada por atividades industriais. Por outro lado, a LRR de resíduos pós-consumo domésticos ainda não é tão madura e tem legislação recente.

Nesse contexto, é inevitável a readequação das cadeias de suprimentos em cadeias ambientalmente adequadas, isto é, em cadeias de suprimentos sustentáveis, atendendo, assim, às três dimensões da sustentabilidade: ambiental, social e econômica. A Figura 2 mostra como estas dimensões se relacionam e os aspectos referentes à construção de valor numa cadeia de suprimentos sustentável.

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Figura 2 – Cadeia de suprimentos sustentável (Rogers, 2010)

 

O objetivo do presente artigo é apresentar o desenvolvimento da operação de logística reversa de resíduos pós-consumo no mundo e no Brasil, ilustrando o envolvimento de diversos atores, principalmente os prestadores de serviço logísticos.

LRR PÓS-CONSUMO: VISÃO GERAL

Tomando o tema de resíduos pós-consumo, na Europa (UE 27), a geração de resíduos sólidos domiciliares representou cerca de 8% do total, somando 221 bilhões de toneladas em 2008 (EUROSTAT, 2012).

Os resíduos orgânicos podem representar de 28% a 58% dos resíduos domiciliares, a depender dos hábitos de consumo de cada país (CABRAL, 2012). Sendo assim, podemos fazer uma estimativa aproximada de que os resíduos sólidos domiciliares pós-consumo devem representar cerca de 4% do total de resíduos sólidos gerados.

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Figura 3 – Representatividade e composição gravimétrica dos resíduos domiciliares

 

Na década de 1990, foram promulgadas na União Europeia diretrizes legais e operacionais para a logística reversa de resíduos pós- consumo para consumidores não-industriais, a partir das quais seus países constituintes organizaram metas para coleta e reciclagem para cada um dos diferentes grupos de resíduos definidos (Figura 4).

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Figura 4 – Desenvolvimento e organização da logística reversa de resíduos na Europa

 

Cada um dos países da UE se organizou para atender às diretrizes e metas definidas através do desenvolvimento, em muitos casos, de estrutura governamental e legislações próprias. A Figura 5 ilustra o caso da Holanda, onde o governo se relaciona com as indústrias e importadores, que por sua vez organizaram entidades gestoras (empresas sem fins lucrativos) para gerenciar a operação de logística reversa (GOORHUIS, 2012).

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Figura 5– Esquema da estrutura holandesa para logística reversa de resíduos pós-consumo

 

As entidades gestoras são compostas por uma equipe administrativa que é responsável pela gestão e financiamento da operação reversa (coleta, transporte, triagem, comercialização, etc.). De forma geral, a operação é totalmente terceirizada, ou seja, a entidade gestora contrata empresas ou mesmo o governo para realização das etapas de operação.

As empresas produtoras (indústrias e importadores) são filiadas a essas entidades e pagam a elas uma taxa denominada de “ecovalor”, para garantir o fluxo de caixa necessário para operacionalizar a destinação adequada dos resíduos.

É importante ressaltar que, sob a luz das diretrizes e legislações referentes à logística reversa de resíduos pós-consumo, a destinação dos resíduos está mudando com o decorrer do tempo na Europa, o que muda o fluxo de valores. Na Figura 6, por exemplo, verifica-se que o uso de aterros tem diminuído, provavelmente, devido às diretrizes que inibem ou proíbem o seu uso. Isso ilustra o impacto promovido pelo direcionamento legal e organização empresarial feitos até o momento.

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Figura 6 – Destinação dos resíduos sólidos

 

No Brasil, em 1981, concebeu-se a lei 6.938 Política Nacional de Meio Ambiente. A partir dessa lei, em 1990 iniciaram-se diversas discussões, que culminaram na formulação da Lei das Águas em 1997, além da revisão do Conama para os critérios utilizados para licenciamentos ambientais. Em 2000, regulamentou-se a lei sobre recolhimento e destinação de resíduos de embalagens de agrotóxicos e, em 2010, foi estabelecida a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

As metas brasileiras para o volume de resíduos que deve ser coletado e reciclado ainda estão em processo de definição. No entanto, já está prevista na lei a meta para acabar com lixões/aterros, fato esse que deve levar a uma mudança na representatividade das destinações finais para resíduos pós-consumo no País nos próximos anos.

OPERAÇÃO DE LRR PÓS-CONSUMO

A Figura 7 exemplifica um fluxo genérico da logística reversa de resíduos pós-consumo, contendo as principais necessidades de uma operação desse tipo.

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Figura 7 – Principais questões a serem respondidas no desenho da operação de logística reversa de resíduos pós-consumo

COLETA E TRIAGEM DE RESÍDUOS

Basicamente, a coleta dos resíduos pós-consumo não-industriais pode ser feita através de coleta seletiva porta a porta e de pontos de coleta. Cada tipo de resíduo tem uma alternativa mais adequada, que proporciona maior adesão da população.

Na Holanda e em Portugal, o serviço de coleta seletiva de embalagens é realizado pelas prefeituras e remunerado pela indústria. As prefeituras, comumente, terceirizam o serviço, contratando prestadores de serviços logísticos especializados. Os custos dessa operação são negociados com as entidades gestoras, que pagam às prefeituras por essa atividade.

Em Portugal, além da coleta porta a porta, existem pontos de coleta para diversos tipos de resíduos, que podem ser em estabelecimentos varejistas ou até mesmo bombeiros. A implantação destes pontos de coleta exige negociação com os estabelecimentos devido a dificuldades como gestão da movimentação e espaço para armazenagem dos resíduos.

Vale citar que em alguns países, como a Holanda, por exemplo, os pontos de coleta de materiais eletrônicos são remunerados pelo serviço de recebimento e armazenagem do resíduo, enquanto que em outros casos esse custo é responsabilidade do estabelecimento. A entidade gestora é quem faz a negociação e remuneração, quando necessário.

Com relação aos equipamentos de coleta, existem os mais variados tipos, a depender do resíduo e da operação desenhada: contêineres, latões, coletores subterrâneos, automáticos e multiresíduos, entre outros. A especificidade do processo de coleta desenhado estende-se também aos veículos a serem utilizados para o transporte. De forma geral, são utilizados caminhões comuns com poucas adaptações, dado que para a maior parte dos resíduos a prensagem pode ser prejudicial ao processo de reciclagem. No entanto, nas cidades que utilizam contêineres subterrâneos, por exemplo, o veículo a ser utilizado é especial.

Além das especificidades de cada operação, os requerimentos de transporte e armazenagem dos resíduos variam em função das suas características e classificação legais. Podemos destacar alguns tópicos regulatórios (ANTT, 2010) como: a necessidade de licenciamento das instalações e operações; monitoramento por meio de registros rastreáveis, de acordo com o projeto previamente aprovado pelos órgãos previstos em lei ou regulamentação específica; proibição do transporte conjunto de perigosos com outro tipo de categoria, entre outros.

Nesse contexto, prestadores de serviços logísticos que pretendem operar resíduos devem obter as certificações e licenças específicas para cada tipo de resíduo. Pilhas e baterias, por exemplo, são itens que necessitam do Cadri – Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental.

A disponibilização de relatórios e serviços especiais de rastreamento traz diferencial competitivo aos prestadores de serviços nessa atividade, dada a relevância legal desse item na operação com resíduos.

No Brasil, alguns operadores logísticos já realizam atividades de transporte e movimentação de resíduos pós-consumo, como a Translix, por exemplo. No entanto, a PNRS estabelece a inclusão de catadores na cadeia reversa. Atualmente, as cooperativas de catadores não têm estrutura adequada para executar as atividades de coleta de altos volumes. Elas não são pagas pela prestação de serviços e ganham apenas com a venda dos resíduos. Sua disponibilidade de veículos depende de doações e apoio financeiro de empresas terceiras. Nesse contexto, diversas soluções de baixo custo para os veículos são encontradas, como bicicletas e motocicletas adaptadas, por exemplo.

Após a etapa de coleta, os resíduos passam, na maioria dos casos, por uma etapa de triagem ou processamento. É nessa etapa que eles são selecionados de forma a atender aos requisitos necessários para sua destinação final. Embalagens, por exemplo, são organizadas quanto ao material que as compõe, formando lotes para direcionamento para as diferentes indústrias recicladoras (papel, plástico PET, PP, PE, alumínio, etc.). Nesse processo, já se faz uma separação inicial dos resíduos “sem serventia”, refugos que não têm como serem direcionados para reciclagem ou reuso, tendo, em alguns casos, a possibilidade de recuperação energética (ex. incineração).

Resíduos de produtos eletrônicos passam por um processo de triagem diferenciado, como o denominado urban mining (mineração urbana). Nesse processo, os equipamentos eletrônicos têm seus componentes separados de forma a tornar possível a extração de metais preciosos, como ouro e cobre. Nesses casos, a operação tende a ser automatizada, devido à grande variedade de produtos a serem desmontados e aos materiais envolvidos. A separação dos componentes pode ser feita através de equipamentos que detectem as diferentes densidades e características dos materiais, sendo um processo complexo.

Na Europa, de forma geral, as atividades de triagem são realizadas por prestadores de serviços especializados, que utilizam equipamentos de porte industrial devido aos altos volumes movimentados. No Brasil, atualmente, a triagem é realizada pelas cooperativas de catadores, que não têm condições para investir em equipamentos de porte industrial ou mão de obra especializada. Prestadores de serviços devem surgir para suprir a necessidade no mercado brasileiro e terão de lidar com a obrigatoriedade legal de inclusão dos catadores nesse contexto, indicadas na PNRS.

Além da triagem, resíduos classificados como perigosos devem passar por processamentos para descontaminação antes de serem direcionados para reciclagem ou outras destinações. Lâmpadas fluorescentes estão nessa situação.

CONSOLIDAÇÃO DE VOLUMES E VENDA DOS RESÍDUOS

Atualmente, o volume coletado por cooperativas de catadores não é vendido diretamente às indústrias recicladoras. Isto ocorre porque existem poucas recicladoras e estas só compram materiais em grandes quantidades e de boa qualidade.

No Brasil, a cadeia de reciclagem possui a figura dos chamados intermediários, ou atravessadores, que compram os resíduos das cooperativas, consolidam volumes e vendem para as indústrias, alcançando melhores condições de negociação no preço de venda dos resíduos. O Quadro 1 mostra as principais exigências impostas pelas recicladoras aos seus fornecedores.

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Quadro 1 – Custo por atividade da operação de logística reversa de eletrônicos na Holanda (Vlak, 2012)

 

A implantação de processos padronizados de logística reversa, sob supervisão de entidades gestoras, pode viabilizar a organização destas cooperativas, de forma a consolidar volumes de resíduos para a venda às recicladoras sem a necessidade de intermediários, o que aumentaria o valor da receita gerada na venda dos resíduos. Essa consolidação de volumes pode ocorrer em pontos de transbordo e armazenagem, com a possibilidade de participação de operadores logísticos nessa etapa.

Em Portugal, a entidade gestora é a “dona dos resíduos” e é responsável pela negociação de venda junto às recicladoras. A receita gerada na venda dos resíduos é então utilizada por essa entidade para abater os custos da operação. Outra atividade com grande potencial de agregação de valor aos resíduos é o urban mining.

Considerando a realização das atividades relacionadas à operação de logística reversa de resíduos, verifica-se uma nova organização de agentes na cadeia de suprimentos, que traz associada a si desafios e oportunidades para diversos setores como, por exemplo, transportadores, empresas de triagem, indústrias de reciclagem e de recuperação energética.

Para se ter uma ideia dos valores envolvidos nessas novas oportunidades, podemos verificar o Quadro 2, que ilustra os valores gastos com cada atividade na Holanda, para a logística reversa de eletrônicos. Para um volume de 109 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos, o custo total seria da ordem de 30 milhões de euros, dos quais cerca de 13 milhões de euros dedicados a operações logísticas de coleta, transporte e triagem dos resíduos.

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Quadro 2 – Resumo das exigências impostas pelas recicladoras aos seus fornecedores (AQUINO; CASTILHO JR. e PIRES, 2009)

 

Verifica-se que a revenda dos resíduos abate uma parte dos custos pagos pela entidade gestora; no entanto, ainda não é suficiente para gerar uma operação autossuficiente.

CONCLUSÕES

Transportar, armazenar e gerenciar estoques, assim como outras atividades da logística tradicional, também são necessárias nas operações reversas. Serviços adicionais específicos como triagem, processamento dos resíduos e rastreamento especial podem ser atividades adicionais.

O volume a ser movimentado nesse tipo de operação é significativo e a complexidade é alta, dado que ela trata dos resíduos gerados pela população e tem grande dispersão geográfica, principalmente no Brasil. Isso pode ser uma oportunidade e atrair grandes prestadores de serviços logísticos.

O desafio está em alcançar uma operação de alta eficiência, pois a carga movimentada é de baixo valor agregado, dando alta relevância a tópicos como escala operacional, consolidação de carga e automatização de processos.

A etapa de negociação para venda dos resíduos é também um desafio relevante, pois é impactada pela qualidade dos resíduos adquiridos ao final do processo, além dos volumes (escala industrial; resíduo como matéria-prima).

Nesse contexto, faz-se necessário verificar as possibilidades de inclusão dos catadores no processo, dada a obrigatoriedade indicada na PNRS, não havendo ainda uma solução desenhada para esse ponto.

Considerando a responsabilidade compartilhada, é importante ressaltar que, apesar de a indústria ser a responsável pela remuneração dos custos da operação de logística reversa, este custo, ou parte dele, acaba sendo repassado de alguma forma aos consumidores finais. Estes devem ter consciência de que o valor que pagam em um produto inclui os custos da cadeia direta e reversa, e que este segundo custo pode ser uma parte significativa do custo total do produto.
BIBLIOGRAFIA

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INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. Estudo de viabilidade técnica e econômica para implantação da logística reversa por cadeia produtiva. Componente: Produtos e embalagens pós-consumo. Março, 2012

Autores: Gisela Mangabeira de Sousa e Yumi Fusse Madeira

CONSTRUÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS SUSTENTÁVEL: LOGÍSTICA REVERSA DE EMBALAGENS PÓS-CONSUMO – PARTE 2

Na primeira parte deste artigo, tratou-se do problema dos resíduos sólidos, com um histórico da evolução da preocupação com o seu descarte correto, as diversas discussões internacionais sobre o tema e as políticas e soluções dadas, com os cases alemão e brasileiro. Foi abordado também o surgimento do conceito de responsabilidade compartilhada na cadeia de suprimentos sustentável, com o programa de metas da União Europeia para os seus diferentes países, para a reciclagem desses resíduos. Nesta segunda parte, será tratada a problemática da logística reversa no Brasil.
O DESAFIO DA LOGÍSTICA REVERSA NO BRASIL
Existe uma tendência de que, com a regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS – Lei 12.305/2010), parte das associações de empresas brasileiras adote um modelo para a logística reversa similar ao europeu.Os principais desafios do fluxo de valor da cadeia reversa estão associados à geração de um resultado financeiro positivo. No Brasil, as grandes dimensões geográficas e a baixa densidade de cooperativas, empresas de triagem e recicladoras são fatores que colaboram para o aumento dos custos para a coleta. Em contrapartida, diferentemente da Europa, que utiliza serviços de transporte especializado para a coleta de resíduos, no Brasil a inclusão social das cooperativas de catadores pode reduzir esse custo no início do processo.A capacidade instalada atual para triagem e transformação dos resíduos ainda não é suficiente para garantir o fluxo de todo o resíduo gerado em território nacional. A Figura 5 ilustra a distribuição geográfica de cooperativas e recicladoras no Brasil e indica um potencial gap estrutural, que deverá culminar na necessidade de investimentos em unidades industriais tanto para triagem quanto para reciclagem.

De forma aproximada, podemos imaginar que cada cooperativa de catadores é capaz de separar cerca de 1.200 toneladas de resíduos/ano, formando uma capacidade nacional de cerca de 624 mil toneladas anuais. Considerando um volume de resíduos de embalagens pós-consumo da ordem de 17 milhões de toneladas/ano, verificamos que a inclusão das cooperativas no formato atual no processo de coleta e triagem de resíduos não se fará suficiente. Outro ponto que vale ser ressaltado é que a disponibilidade de cooperativas não é uniforme, trazendo grandes gaps para o Norte e o Nordeste do País.

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Figura 5 – Distribuição geográfica de Cooperativas e Recicladoras no Brasil
A solução dessa situação é mais complexa do que pode parecer, pois as cooperativas não são unidades industriais e não têm facilidade de expansão. O esforço para dar escala industrial às cooperativas vai além de investimentos em equipamentos; existe a necessidade de elaboração de um denso plano de inclusão social (veja Quadro 3).2011_08_imagem_02 - parte 2
Quadro 3 – O desafio da inclusão social dos catadores
Além da questão humana, o planejamento da localização adequada para as instalações de triagem, recicladoras e outros locais para disposição de resíduos é fundamental para que o custo de coleta e disposição de resíduos seja o menor possível. Assim como as empresas dimensionam e localizam suas plantas e centros de distribuição para a redução dos custos com distribuição, essa atividade se faz necessária a para redução dos custos com logística reversa.No que diz respeito às receitas a serem geradas com a comercialização do resíduo coletado, temos que estas dependem do desenvolvimento do próprio mercado de produtos reciclados e/ou com base em resíduos. O investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e o processo de conscientização do consumidor quanto ao tema são fatores essenciais para esse crescimento.Através de P&D se torna possível identificar meios de utilização de resíduos em embalagens e produtos, garantindo suas condições de segurança. O eco-design é uma atividade de P&D muito forte nesse aspecto, pois aborda o desenvolvimento da imagem e do produto alinhado com os principais indicadores ambientais. Nesse contexto estão:

• Redução dos volumes de materiais a serem utilizados na constituição do produto e de sua embalagem, de forma a minimizar o uso de recursos naturais e gerar o menor volume de resíduos pós-consumo possível.

• Desenho do produto e embalagens de forma a maximizar o valor do resíduo que será gerado, ou seja, suas partes devem ser desmontáveis, permitindo a triagem adequada de seus resíduos e sua máxima reciclagem ou reaproveitamento. Embalagens do tipo pounch (flexíveis), por exemplo, possuem um mix de camadas de materiais “inseparáveis” que pode inviabilizar sua reciclagem. Embalagens de perfume cujo spray de alumínio esteja montado de forma inseparável do vidro têm o seu potencial de reciclagem reduzido, gerando resíduos que terão de seguir para uma destinação menos nobre.

• Escolha dos materiais não somente pela capacidade de atender aos critérios de performance do produto, mas de forma a minimizar impactos ambientais no seu ciclo de vida, como uso de água e energia, geração de CO2, grau de reciclabilidade, podendo-se também incluir impactos de aspecto social (pode-se preferir utilizar um material que irá gerar renda a uma comunidade carente e proporcionar o crescimento de um novo setor econômico a utilizar um já produzido por grandes indústrias, além, é claro, de escolher fornecedores que não estejam envolvidos com trabalho escravo ou infantil e que não proporcionem o contato de seres vivos a substâncias tóxicas).

De forma geral, o eco-design deve gerar produtos e embalagens de menor custo econômico, ambiental e também social. No entanto, as decisões de eco-design estão ainda dentro de uma esfera estratégica, pois proporcionam inovações em termos de aparência dos produtos, gerando a necessidade de elaboração de processos de comunicação mais afinados com os consumidores.

Além do eco-design, na Europa diversas empresas já buscam a certificação cradle-to-cradle (do berço ao berço), oferecido pela consultoria MBDC – McDonough Braungart Design Chemistry, através da qual se tem orientações para o desenvolvimento de produtos dentro de um contexto sustentável. Cada nível dessa certificação refere-se a um diferente conjunto de exigências que orientam os esforços de P&D e que, ao definir metas para o uso de resíduos pós-consumo no desenvolvimento do produto, gera mercado para os mesmos (veja Quadro 4 sobre as exigências gerais para obtenção de cada nível da certificação cradle-to-cradle).

No contexto de pesquisa e desenvolvimento entram também todos os esforços para a viabilização de tecnologias para o uso de materiais reciclados como matéria-prima e para reciclagem e transformação dos resíduos.

Voltando-se para a conscientização do consumidor, podemos dizer que este é fator primordial para a alavancagem do mercado de produtos sustentáveis. Tendo o consumidor conhecimento sobre as questões envolvidas, ele deve poder escolher entre um produto mais ou menos sustentável. Essa possibilidade de escolha, no entanto, não depende somente do conhecimento do consumidor, sendo necessária uma comunicação confiável e isenta no produto como base para comparação.

Essa comunicação pode ser realizada através da disposição de informações nos rótulos dos produtos, podendo estar associada tanto aos processos que envolvem o produto quanto a atitudes tomadas pela empresa. A rotulagem de selos verdes, certificação cradle-to-cradle ou mesmo a participação da empresa no programa de logística reversa de resíduos, como o Ponto Verde, já são comuns na Europa.

Levando-se em consideração os investimentos em P&D e custos adicionais necessários para a oferta de produtos sustentáveis no mercado, em um primeiro momento, seus preços tendem a ser maiores que os dos demais produtos. Essa diferenciação nos preços, no entanto, tende a se reduzir, tanto porque os esforços de P&D devem gerar produtos com menos necessidade de material quanto pela tendência de redução de preços da matéria-prima reciclada, com o ganho de escala na produção que ocorrerá devido ao estabelecimento das metas de reciclagem.

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Quadro 4 – Certificação Cradle-to-Cardle: triple-bottom-line
A manutenção de preços premium para produtos sustentáveis pode ser uma forte barreira para a massificação de suas vendas, principalmente em países em desenvolvimento. Nesses casos, o rápido aumento da oferta de materiais reciclados torna-se ainda mais importante, pois o ganho de escala na produção de reciclados pode trazer redução nos custos desse tipo de matéria-prima, evitando a necessidade de repasse do custo para o preço..SOLUÇÕES DE LOGÍSTICA REVERSA NO MUNDOFrente a todas as questões que envolvem a transformação da cadeia de suprimentos em uma cadeia sustentável, vários são os passos a serem dados.O Brasil está agora na etapa pós-regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, na qual os setores devem apresentar para o Governo uma proposta de metas e um plano que mostre sua viabilidade. Essa etapa deve conter diversos levantamentos e análises a fim de garantir que o problema seja entendido e a mudança possa então ser efetiva:

• Mapeamento da capacidade atual (em toneladas) de cada elemento necessário para o direcionamento dos resíduos dentro da hierarquia definida na legislação (coleta, triagem, reciclagem, compostagem, incineração e disposição de resíduos em aterros sanitários);

• Avaliação do gap de capacidades e estruturação de solução específica para cada área, identificando e explicitando responsabilidades;

• Plano de incentivo à implantação das novas unidades necessárias (cartas de crédito);

• Elaboração de proposta para inclusão social dos catadores no contexto da logística reversa de resíduos;

• Identificação dos melhores locais para posicionamento de cada elemento necessário para direcionamento dos resíduos (Rede Reversa – Resíduos Sólidos), de forma a minimizar os custos de movimentação;

• Definição e divulgação das responsabilidades de cada um dos atores envolvidos no processo (indústria produtora, consumidores, etc.);

• Plano de investimentos em P&D para cada um dos atores envolvidos;

• Definição das cartas de crédito para os investimentos necessários em P&D;

• Plano de comunicação das responsabilidades (coleta seletiva);

• Padronização e comunicação de rotulagens ambientais e sustentáveis de empresas e produtos;

• Caracterização do mercado atual de resíduos (preços, formas de comercialização, relacionamentos na cadeia, etc.) e projeções para os próximos dez anos;

• Revisão dos impostos e taxações aplicáveis à comercialização de resíduos, reciclados e produtos com uso de reciclados pós-consumo.

CONCLUSÃO
São inúmeras as mudanças no processo de transformação da cadeia de suprimentos, porém a mais relevante é a mudança de visão. Sair de uma visão unilateral, focada apenas no desenvolvimento econômico independente, e ir para uma visão triple-bottom-line, onde as questões sociais e ambientais ganham grande relevância, é, de fato, o maior desafio.A velocidade dessa mudança na cadeia é o que a faz assustadora, pois este não é um processo de adequação gradual do mercado, mas sim uma mudança puxada pelo vislumbre de problemas com a qualidade de vida das gerações futuras. O engajamento das empresas não é uma opção, é uma decisão global.As companhias que conseguirem se engajar no processo de transformação mais rapidamente se tornarão cada vez mais competitivas, conseguindo reduzir custos e ganhar mercado.Em países em desenvolvimento, a mudança na cadeia de suprimentos tem maior grau de complexidade que nos países desenvolvidos, principalmente porque o tamanho dos problemas de ordem social são maiores.Esses problemas sociais impactam diretamente na distribuição dos custos associados às mudanças iniciais, pois estes não conseguem ser repassados totalmente para os consumidores. Nesse contexto, o trabalho para minimização dos custos associados ao processo deve ser fonte de um esforço maior.No caso específico do Brasil, além da necessidade de um grande projeto para desenho da rede reversa e seu alinhamento com o processo de inclusão de catadores, é necessário ainda organizar as formas de comunicação junto ao consumidor, não somente sobre a relevância de seu papel dentro do processo de logística reversa (coleta seletiva e disposição de resíduo por material), mas também sobre como os produtos e embalagens podem ser comparados quanto a suas características ambientais e sociais.A sociedade, de forma geral, está envolvida nesse desafio, sendo o governo, as indústrias produtoras e os cidadãos os principais atores para a mudança.
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NEYMAN, Monika T. The Environmental Law System of the Federal Republic of Germany. Annual Survey of International & Comparative Law, 1996.

CONSTRUÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS SUSTENTÁVEL: LOGÍSTICA REVERSA DE EMBALAGENS PÓS-CONSUMO – PARTE 1

Levantamentos apontam que o Brasil gera, anualmente, cerca de 57 milhões de toneladasde resíduos sólidos urbanos, dos quais cerca de 30% (17 milhões) são embalagens pós-consumo, o que traz grandes impactos ao meio ambiente. Esta é uma realidade que se observa no mundo inteiro e que justifica uma preocupação cada vez maior da sociedade com a questão da sustentabilidade.O conceito de sustentabilidade nos traz novos desafios, não somente ambientais, mas principalmente políticos e econômicos, estando associado à necessidade de mudança de comportamentos sociais e, consequentemente, empresariais.Nesse contexto estão as alterações nas exigências de consumo e a formação de cadeias de suprimentos sustentáveis.O presente artigo visa explicitar a abrangência e impactos das mudanças necessárias na cadeia de suprimentos, com foco na logística reversa de embalagens pós-consumo.

 


O PROBLEMA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

Histórico do conceito de desenvolvimento sustentável

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A Figura 1 mostra uma série de eventos e movimentos ambientalistas surgindo a partir da década de 1960, no período pós-industrial, causados pela percepção da degradação ambiental provocada pelo crescimento nas produções industriais.A degradação provinha da busca industrial por fontes energéticas e matérias-primas, e pela disposição inadequada dos resíduos industriais, poluindo solos e águas para atendimento da crescente demanda por produtos.As discussões sobre o meio ambiente no âmbito da política internacional cresceram, culminando, em 1983, na criação da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Organização das Nações Unidas – ONU. Em 1987, o relatório O Nosso Futuro Comum, originado pela Comissão de Brundland, trouxe notoriedade para o termo “sustentabilidade”, incluindo-o nas discussões políticas: “Desenvolvimento Sustentável é a capacidade das atuais gerações de atender às suas necessidades sem comprometer o atendimento das necessidades das gerações futuras.”Esse conceito foi trabalhado em diversas discussões científicas e políticas, sendo introduzido em 2002 sobre uma base triple-bottom-line, que indica que sustentabilidade é uma condição que considera inexoravelmente as dimensões econômica, social e ambiental ao mesmo tempo: “A proteção do meio ambiente e o desenvolvimento social e econômico são fundamentais para o desenvolvimento sustentável.”

Em paralelo às discussões internacionais sobre Desenvolvimento Sustentável, cada país buscou desenvolver soluções internas para problemas ambientais com impacto local, como poluição de águas, solos e ar.

O CASE ALEMÃO

Na Europa, a Alemanha é um país de destaque no desenvolvimento de legislação e implantação de soluções associadas ao meio ambiente. Em 1974, estabeleceu-se naquele país a Agência Federal do Meio Ambiente com o objetivo de financiar e apoiar pesquisas na área, de forma a suportar o desenvolvimento de conceitos para formação de um ministério federal. Em 1986, após o acidente nuclear de Chernobyl, formou-se o Ministério Federal do Meio Ambiente, Conservação Ambiental e Segurança Nuclear. A partir de então, se estabeleceram legislações específicas para cada tema ambiental, como Água, Conservação da Natureza, Energia Atômica e Controle Federal da Poluição, entre outros.

No que diz respeito à política para resíduos sólidos, estabeleceu-se na Alemanha, em 1986, a Lei de Redução e Eliminação de Resíduos, com base na qual foram editados vários regulamentos como o de redução de Vasilhames e Embalagens, em 1991; Óleos Usados, em 1987; e Solventes, em 1989 (NEYMAN, 1996).

Em 1994, foi editada a Lei de Economia de Ciclo Integral e Gestão de Resíduos, em substituição à lei de 1986, ampliando a responsabilidade do fabricante para todo o ciclo de vida de seu produto. Nesse contexto, já está a criação de uma hierarquia de ações sobre resíduos, entre as quais evitar a geração é o primeiro passo, seguido pela necessidade de valorizá-los, sob a forma de reciclagem, reuso ou geração de energia, ou, em última instância, provendo a disposição ambientalmente adequada para os resíduos não valorizáveis.

Mesmo com esse longo histórico de iniciativas de sustentabilidade na Alemanha, as metas de coleta foram introduzidas gradualmente, de acordo com a definição de metas europeias, tendo-se que chegar a uma coleta seletiva de 50% dos resíduos até o final de 2001 e 60% até 2008. Veja as tabelas com as metas europeias para o primeiro e segundo estágios.

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(EUROPEN, 2009)
O CASE BRASILEIRO
No Brasil, em 1981 concebeu-se a lei 6.938, denominada Política Nacional de Meio Ambiente. A partir dessa lei iniciaram-se diversas discussões que culminaram na formulação da Lei das Águas em 1997, além da revisão, pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente – Conama –, dos critérios utilizados para licenciamentos ambientais. Em 2000, regulamentou-se a lei sobre recolhimento e destinação de resíduos de embalagens de agrotóxicos e, em 2010, foi estabelecida a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que está ainda em processo de regulamentação e já contempla os conceitos de hierarquia de ações para a gestão de resíduos e de responsabilidade compartilhada.As metas brasileiras para o volume de resíduos que deve ser coletado e reciclado ainda estão em processo de definição. A regulamentação da PNRS indicou prazo para que cada setor ou empresa apresentasse uma proposta de metas, que será avaliada por um comitê técnico do governo e então validada. Imagina-se que, até o final de 2011, já se tenham as metas e planos de ação de cada setor envolvido com a geração e comercialização de embalagens..RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA: CADEIA DE SUPRIMENTOS SUSTENTÁVELA proposição do desenvolvimento de uma hierarquia de ações para minimizar os problemas associados à disposição de resíduos sólidos traz associada a necessidade de organização de planos e metas em diferentes esferas, de forma a influenciar a readequação das cadeias de suprimentos em cadeias ambientalmente adequadas e, por fim, sustentáveis.
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A cadeia de suprimentos sustentável é aquela que atende às três dimensões da sustentabilidade:• Ambiental: buscar reduzir os impactos ambientais gerados pelo ciclo de vida de cada produto. Esses impactos estão alocados nas diferentes etapas da cadeia de suprimentos e podem ser medidos através de diversos indicadores, como: consumo de energia, água, emissão de CO2, geração de resíduos, percentual de resíduos retornados e de resíduos com destinação adequada.• Social: atuar de forma a manter e promover um relacionamento social saudável entre todos os envolvidos nas atividades da cadeia de suprimentos, minimizando danos às pessoas e comunidades. A qualidade dos relacionamentos de uma cadeia pode ser avaliada através de indicadores como número de acidentes, horas de treinamento e total de renda gerada, além de atitudes empresariais que proporcionem inclusão social, redução dos índices de acidentes de trabalho e exploração sexual infantil, entre outras.• Econômica: essa é a dimensão tradicional de avaliação dos negócios através da qual se busca maximizar faturamento e lucratividade. Em uma cadeia de suprimentos sustentável, os fatores econômicos não se prendem a cada empresa individualmente, sendo o resultado conjunto. O esforço para garantir a qualidade econômico-financeira de toda a cadeia de suprimentos é uma grande tarefa.Um dos principais desafios para a construção de uma cadeia de suprimentos sustentável é o conhecimento que cada elo deve ter da cadeia como um todo, de forma a garantir, através do relacionamento e compartilhamento de responsabilidades, que o melhor está sendo feito nas três diferentes dimensões ao longo de todo o processo, da extração da matéria-prima à disposição dos resíduos.O investimento nesse processo de transformação é o que garantirá a possibilidade das empresas de permanecerem e crescerem em mercados futuros, onde os consumidores e a sociedade exigirão uma postura sustentável, seja através da mudança em seus hábitos de consumo, seja através de legislações.
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A Figura 2 ilustra a transformação necessária nas cadeias de suprimentos para torná-las ambientalmente adequadas, segundo a hierarquia de ações proposta na legislação da União Europeia (UE) e agora na Política Nacional de Resíduos Sólidos (veja Quadro 2).Pode-se observar o surgimento de novas atividades (Coleta, Triagem e Transformação dos Resíduos) e, potencialmente, novos atores e relacionamentos. Essa situação cria um novo fluxo de valores e, consequentemente, novos negócios.Parte do que era até então entendido como gerenciamento de resíduos sólidos, e tinha gestão governamental, começa a dar forma a um novo setor econômico, responsável pela transformação de resíduos em matérias-primas e/ou novos produtos.Um exemplo de iniciativa desenvolvida para fortalecer essa cadeia é o conceito Cradle-to-Cradle, que trata do desenho de produtos e dos respectivos processos produtivos, de forma a garantir, entre outras coisas, que as substâncias químicas presentes no produto são as mais seguras, que os produtos podem ser desmontados no final de sua vida útil para reciclagem e que os materiais contêm itens reciclados e recicláveis na sua composição.Dessa forma, é possível manter uma cadeia de suprimentos eco-eficiente, reduzindo a extração de matérias-primas virgens e reduzindo a disposição de materiais de forma inadequada, ou seja, tratando materiais que podem ser aproveitados como rejeito. 

SOLUÇÕES DE LOGÍSTICA REVERSA NO MUNDO

Estima-se foram coletados mundialmente, em 2007, entre 2,5 e quatro bilhões de toneladas de resíduos, dos quais 1,2 bilhão eram resíduos sólidos urbanos (RSU). A disposição desses RSUs movimentou, aproximadamente, US$ 125 bilhões através da remuneração das atividades de coleta, aterro sanitário, incineração, compostagem, reciclagem e outros métodos complementares de tratamento, além dos valores referentes à comercialização das 600 milhões de toneladas de material reciclado gerado (veja Figura 3).

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(Abrelpe, 2007)
A forma através da qual cada país distribui as responsabilidades dentro desse processo de transformação afeta diretamente o fluxo de valores da cadeia e a postura de cada elo frente aos investimentos e decisões a serem tomadas. A Figura 3 ilustra diferentes formas de distribuição de responsabilidades.O Fluxo 1 é similar ao processo europeu atual, no qual existe uma entidade sem fins lucrativos responsável por gerenciar o processo de coleta e triagem dos resíduos. Essa entidade possui o seu custo financiado por associações de empresas, além de gerenciar o processo de coleta e triagem, e também comercializa esses resíduos com as indústrias transformadoras. O conceito do processo é que essa operação seja autofinanciável, ou seja, a receita gerada pela venda dos resíduos deve remunerar os custos da operação.Um exemplo deste tipo de operação é o Ponto Verde (Green Dot), entidade sediada em Portugal relacionada à indústria que é responsável pelo planejamento e operação da logística reversa dos resíduos de embalagens e sua comercialização. O resultado financeiro do Ponto Verde em 2008 foi positivo. Como esta é uma entidade sem fins lucrativos, os resultados do exercício são reinvestidos ou utilizados na própria atividade de logística reversa de resíduos ou em atividades conexas (Ponto Verde, 2008). Porém, esse resultado expressa o desenvolvimento do mercado de resíduos e as possibilidades de se obterem ganhos econômico-financeiros para a cadeia de suprimentos.O Fluxo 2 representa uma alternativa na qual o governo atua na coleta dos resíduos. A priori, o governo não se envolveria na sua comercialização, sendo essa responsabilidade da empresa de coleta ou triagem. Em algumas localidades brasileiras temos uma situação similar, em que o município (por exemplo, São Paulo) arca com parte dos custos de coleta, deixando o custo da triagem e comercialização dos resíduos com as cooperativas.
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Outra situação comum no Brasil está ilustrada no Fluxo 3, no qual a coleta e a triagem são realizadas por cooperativas sem apoio financeiro de um setor ou entidade governamental específica. Neste caso, as cooperativas suportam os seus custos operacionais através da receita obtida pela venda de resíduos para as recicladoras.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Abracelpe, Caderno Especial – Panorama de Resíduos Sólidos, 2007.
Europen, Packaging and packaging waste statistics, 1998 – 2006, 2009.
NEYMAN, Monika T. The Environmental Law System of the Federal Republic of Germany, Annual Survey of International & Comparative Law, 1996
Gisela Mangabeira Souza é consultora sênior do ILOS – Instituto de Logística e Supply Chain
gisela.sousa@ilos.com.br
Tel: (11) 3847-1909Leonardo Pozes
Gerente de Planejamento Estratégico do Grupo AndinaVeja a segunda e última parte deste artigo na edição de agosto (no 189) da Tecnologística ou em www.ilos.com.br
Autores: Gisela Mangabeira de Sousa e Leonardo Pozes

LOGÍSTICA REVERSA

Usualmente pensamos em logística como o gerenciamento do fluxo de materiais do seu ponto de aquisição até o seu ponto de consumo. No entanto, existe também um fluxo logístico reverso, do ponto de consumo até o ponto de origem, que precisa ser gerenciado.

Este fluxo logístico reverso é comum para uma boa parte das empresas. Por exemplo, fabricantes de bebidas têm que gerenciar todo o retorno de embalagens (garrafas) dos pontos de venda até seus centros de distribuição. As siderúrgicas usam como insumo de produção em grande parte a sucata gerada por seus clientes e para isso usam centros coletores de carga. A indústria de latas de alumínio é notável no seu grande aproveitamento de matéria prima reciclada, tendo desenvolvido meios inovadores na coleta de latas descartadas.

Existem ainda outros setores da indústria onde o processo de gerenciamento da logística reversa é mais recente como na indústria de eletrônicos, varejo e automobilística. Estes setores também têm que lidar com o fluxo de retorno de embalagens, de devoluções de clientes ou do reaproveitamento de materiais para produção.

Este não é nenhum fenômeno novo e exemplos como o do uso de sucata na produção e reciclagem de vidro tem sido praticados há bastante tempo. Por outro lado, tem-se observado que o escopo e a escala das atividades de reciclagem e reaproveitamento de produtos e embalagens tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Algumas das causas para isto são discutidas abaixo:

Questões ambientais

Existe uma clara tendência de que a legislação ambiental caminhe no sentido de tornar as empresas cada vez mais responsáveis por todo ciclo de vida de seus produtos. Isto significa ser legalmente responsável pelo seu destino após a entrega dos produtos aos clientes e do impacto que estes produzem no meio ambiente.

Um segundo aspecto diz respeito ao aumento de consciência ecológica dos consumidores que esperam que as empresas reduzam os impactos negativos de sua atividade ao meio ambiente. Isto tem gerado ações por parte de algumas empresas que visam comunicar ao público uma imagem institucional “ecologicamente correta”.

Concorrência – Diferenciação por serviço

Os varejistas acreditam que os clientes valorizam as empresas que possuem políticas mais liberais de retorno de produtos. Esta é uma vantagem percebida onde os fornecedores ou varejistas assumem os riscos pela existência de produtos danificados. Isto envolve, é claro, uma estrutura para recebimento, classificação e expedição de produtos retornados.

Esta é uma tendência que se reforça pela existência de legislação de defesa dos consumidores, garantindo-lhes o direito de devolução ou troca.

Redução de Custo

As iniciativas relacionadas à logística reversa têm trazido consideráveis retornos para as empresas. Economias com a utilização de embalagens retornáveis ou com o reaproveitamento de materiais para produção têm trazido ganhos que estimulam cada vez mais novas iniciativas.

Além disto, os esforços em desenvolvimento e melhorias nos processos de logística reversa podem produzir também retornos consideráveis, que justificam os investimentos realizados.

Nas seções seguintes deste artigo serão apresentados conceitos básicos relacionados à logística reversa e discutidos alguns dos fatores críticos que influenciam a eficiência dos processos de logística reversa.

O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE CICLO DE VIDA

Por traz do conceito de logística reversa está um conceito mais amplo que é o do “ciclo de vida”. A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não termina com sua entrega ao cliente. Produtos se tornam obsoletos, danificados, ou não funcionam e deve retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados.

Do ponto de vista financeiro, fica evidente que além dos custos de compra de matéria-prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de um produto inclui também outros custos que estão relacionados a todo o gerenciamento do seu fluxo reverso. Do ponto de vista ambiental, esta é uma forma de avaliar qual o impacto que um produto sobre o meio ambiente durante toda a sua vida. Esta abordagem sistêmica é fundamental para planejar a utilização dos recursos logísticos de forma contemplar todas as etapas do ciclo de vida dos produtos.

Neste contexto, podemos então definir logística reversa como sendo o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas, estoque em processo e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recapturar valor ou realizar um descarte adequado.

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O processo de logística reversa gera materiais reaproveitados que retornam ao processo tradicional de suprimento, produção e distribuição, conforme indicado na figura 1.

Este processo é geralmente composto por um conjunto de atividades que uma empresa realiza para coletar, separar, embalar e expedir itens usados, danificados ou obsoletos dos pontos de consumo até os locais de reprocessamento, revenda ou de descarte.

Existem variantes com relação ao tipo de reprocessamento que os materiais podem ter, dependendo das condições em que estes entram no sistema de logística reversa. Os materiais podem retornar ao fornecedor quando houver acordos neste sentido. Podem ser revendidos se ainda estiverem em condições adequadas de comercialização. Podem ser recondicionados, desde que haja justificativa econômica. Podem ser reciclados se não houver possibilidade de recuperação. Todas estas alternativas geram materiais reaproveitados, que entram de novo no sistema logístico direto. Em último caso, o destino pode ser a seu descarte final (figura 2).

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CARACTERIZAÇÃO DA LOGÍSTICA REVERSA

A natureza do processo de logística reversa, ou seja, quais as atividades que serão realizadas dependem do tipo de material e do motivo pelo qual estes entram no sistema. Os materiais podem ser divididos em dois grandes grupos: produtos e embalagens. No caso de produtos, os fluxos de logística reversa se darão pela necessidade de reparo, reciclagem, ou porque simplesmente os clientes os retornam.

Na tabela 1 abaixo mostra taxas de retorno devido a clientes, típicas de algumas indústrias. Note que as taxas de retorno são bastante variáveis por indústria e que, em algumas delas, como na venda por catálogos, o gerenciamento eficiente do fluxo reverso é fundamental para o negócio.

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O fluxo reverso de produtos também pode ser usado para manter os estoques reduzidos, diminuindo o risco com a manutenção de itens de baixo giro. Esta é uma prática comum na indústria fonográfica. Como esta indústria trabalha com grande número de itens e grande número de lançamentos, o risco dos varejistas ao adquirir estoque se torna muito alto. Para incentivar a compra de todo o mix de produtos algumas empresas aceitam a devolução de itens que não tiverem bom comportamento de venda. Embora este custo da devolução seja significativo, acredita-se que as perdas de vendas seriam bem maiores caso não se adotasse esta prática.

No caso de embalagens, os fluxos de logística reversa acontecem basicamente em função da sua reutilização ou devido a restrições legais como na Alemanha, por exemplo, que impede seu descarte no meio ambiente. Como as restrições ambientais no Brasil com relação a embalagens de transporte não são tão rígidas, a decisão sobre a utilização de embalagens retornáveis ou reutilizáveis se restringe aos fatores econômicos.

Existe uma grande variedade de containeres e embalagens retornáveis, mas que tem um custo  de aquisição consideravelmente maior que as embalagens oneway. Entretanto, quanto maior o número de vezes que se usa a embalagem retornável, menor o custo por viagem que tende a ficar menor que o custo da embalagem oneway.

FATORES CRÍTICOS QUE INFLUENCIAM A EFICIÊNCIA DO PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA

Dependendo de como o processo de logística reversa é planejado e controlado, este terá uma maior ou menor eficiência. Alguns dos fatores identificados como sendo críticos e que contribuem positivamente para o desempenho do sistema de logística reversa são comentados abaixo:

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  • Bons controles de entrada

No início do processo de logística reversa é preciso identificar corretamente o estado dos materiais que retornam para que estes possam seguir o fluxo reverso correto ou mesmo impedir que materiais que não devam entrar no fluxo o façam. Por exemplo, identificando produtos que poderão ser revendidos, produtos que poderão ser recondicionados ou que terão que ser totalmente reciclados.

Sistemas de logística reversa que não possuem bons controles de entrada dificultam todo o processo subseqüente, gerando retrabalho. Podem também ser fonte de atritos entre fornecedores e clientes pela falta de confiança sobre as causas dos retornos. Treinamento de pessoal é questão chave para obtenção de bons controles de entrada.

  • Processos padronizados e mapeados

Um das maiores dificuldades na logística reversa é que ela é tratada como um processo esporádico, contingencial e não como um processo regular. Ter processos corretamente mapeados e procedimentos formalizados é condição fundamental para se obter controle e conseguir melhorias.

  • Tempo de Ciclo reduzidos

Tempo de ciclo se refere ao tempo entre a identificação da necessidade de reciclagem, disposição ou retorno de produtos e seu efetivo processamento. Tempos de ciclos longos adicionam custos desnecessários porque atrasam a geração de caixa (pela venda de sucata, por exemplo) e ocupam espaço, dentre outras aspectos.

Fatores que levam a altos tempos de ciclo são controles de entrada ineficientes, falta de estrutura (equipamentos, pessoas) dedicada ao fluxo reverso e falta de procedimentos claros para tratar as “exceções” que são, na verdade, bastante freqüentes.

  • Sistemas de informação

A capacidade de rastreamento de retornos, medição dos tempos de ciclo, medição do desempenho de fornecedores (avarias nos produtos, por exemplo) permite obter informação crucial para negociação, melhoria de desempenho e identificação de abusos dos consumidores no retorno de produtos. Construir ou mesmo adquirir estes sistemas de informação é um grande desafio. Praticamente inexistem no mercado sistemas capazes de lidar com o nível de variações e flexibilidade exigida pelo processo de logística reversa.

  • Rede Logística Planejada

Da mesma forma que no processo logístico direto, a implementação de processos logísticos reversos requer a definição de uma infraestrutura logística adequada para lidar com os fluxos de entrada de materiais usados e fluxos de saída de materiais processados. Instalações de processamento e armazenagem e  sistemas de transporte devem desenvolvidos para ligar de forma eficiente os pontos de consumo onde os materiais usados devem ser coletados até as instalações onde serão utilizados no futuro.

Questões de escala de movimentação e até mesmo falta de correto planejamento podem levar com que as mesmas instalações usadas no fluxo direto sejam utilizados no fluxo reverso, o que nem sempre é a melhor opção.

Instalações centralizadas dedicadas ao recebimento, separação,  armazenagem, processamento, embalagem e expedição de materiais retornados podem ser uma boa solução, desde que haja escala suficiente.

  • Relações colaborativas entre clientes e fornecedores

No contexto dos fluxos reversos que existem entre varejistas e indústrias, onde ocorrem devoluções causadas por produtos danificados, surgem questões relacionadas ao nível de confiança entre as partes envolvidas. São comuns conflitos relacionados à interpretação de quem é a responsabilidade sobre os danos causados aos produtos.

Os varejistas tendem a considerar que os danos são causados por problemas no transporte ou mesmo por defeitos de fabricação. Os fornecedores podem suspeitar que está havendo abuso por parte do varejista ou que isto é conseqüência de um mal planejamento. Em situações extremas, isto pode gerar disfunções como a recusa para aceitar devoluções, o atraso para creditar as devoluções e a adoção de medidas de controle dispendiosas.

Fica claro que práticas mais avançadas de logística reversa só poderão ser implementadas se as organizações envolvidas na logística reversa desenvolverem relações mais colaborativas.

CONCLUSÃO

A logística reversa é ainda, de maneira geral, uma área com baixa prioridade. Isto se reflete no pequeno número de empresas que tem gerências dedicadas ao assunto. Pode-se dizer que estamos em um estado inicial no que diz respeito ao desenvolvimento das práticas de logística reversa. Esta realidade, como vimos, está mudando em resposta a pressões externas como um maior rigor da legislação ambiental, a necessidade de reduzir custos e a necessidade de oferecer mais serviço através de políticas de devolução mais liberais.

Esta tendência deverá gerar um aumento do fluxo de carga reverso e, é claro, de seu custo. Por conseguinte, serão necessários esforços para aumento de eficiência, com iniciativas para melhor estruturar os sistemas de logística reversa. Deverão ser aplicados os mesmos conceitos de planejamento que no fluxo logístico direto tais como estudos de localização de instalações e aplicações de sistemas de apoio à decisão (roteirização, programação de entregas etc.)

Isto requer vencer desafios adicionais visto ainda a necessidade básica de desenvolvimento de procedimentos padronizados para a atividade de logística reversa. Principalmente quando nos referimos à relação indústria – varejo, notamos que este é um sistema caracterizado predominantemente pelas exceções, mais do que pela regra. Um dos sintomas desta situação é a praticamente inexistência de sistemas de informação voltados para o processo de logística reversa.

Um tópico a ser explorado em outra oportunidade diz respeito à utilização de prestadores de serviço no processo de logística reversa. Como esta é uma atividade onde a economia de escala é fator relevante e onde os volumes do fluxo reverso são ainda pequenos, uma opção viável se dá através da terceirização. Já é comum no Brasil a operação de empresas que prestam serviço de gerenciamento do fluxo de retorno de pallets. Se considerarmos o escopo mais amplo da logística reversa, existe espaço também para operadores que prestam serviços de maior valor agregado como o rastreamento e o  reprocessamento de produtos usados.

BIBLIOGRAFIA

Stock, James R., Development and Implementation of Reverse Logistics Programs, Oak Brook, IL: Council of Logistics Management; 1998.

Rogers, Dale S.; Tibben-Lembke, Ronald S. Going Backwards: Reverse Logistics Practice; IL: Reverse Logistics Exectuve Council, 1999.

Moritz Fleischmann; Patrick Beullens; Jacqueline M Bloemhof-Ruwaard; Luk Van Wassenhove; The impact of product recovery on logistics network design; Production and Operations Management; Muncie; Summer 2001;

Ballou, Ronald H.; Business Logistics Management, Quarta edição.; Prentic Hall; 1998.