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E-commerce: As dificuldades na logística de frutas e verduras

Há pouco mais de uma semana falei sobre a investida de alguns gigantes mundiais do e-commerce no Comércio Varejista e a busca deles para enriquecer a experiência de compra dos consumidores. Pois bem. Essa semana, o jornal Valor Econômico trouxe uma série de matérias sobre o aumento no número de consumidores norte-americanos que compram itens de mercearia pela internet.

A expectativa é alta: até 2024, espera-se que cerca de 70% dos consumidores norte-americanos estejam comprando frutas e verduras pela internet! Só para se ter uma ideia, no Brasil, atualmente, apenas 2% dos consumidores fazem compra em supermercados virtuais no País. De qualquer forma, apesar de essa realidade parecer ainda estar muito longe da gente, sabemos que o mundo vem se transformando muito rapidamente, e as empresas precisam estar preparadas para o novo cenário que se encaminha.

E onde a logística se encaixa nessa transformação? Em tudo!!! Afinal, os varejistas precisam adequar as suas operações à nova realidade. Uma realidade é entregar um livro, a outra é entregar 1 kg de tomate e 1 kg de peixe, tudo fresco e sem amassos! Para tanto, as empresas vão precisar repensar seus centros de distribuição e, até mesmo, a arrumação das suas lojas. O tempo de entrega vai precisar ser curto e, para tal, os locais de armazenamento dos itens vão precisar estar próximos dos consumidores e não na entrada das cidades, onde geralmente estão os terrenos mais baratos e, consequentemente, os centros de distribuição das empresas.

e-commerce varejo - blog ILOS

Como vimos no post que eu citei anteriormente, a solução das redes chinesas para o problema da localização foi adaptar as suas lojas para serem também um hub de envio das compras originadas pelo comércio eletrônico. Nesse modelo, o próprio funcionário da loja faz o picking e o packing, com esteiras encaminhando os produtos embalados para a central de envios. A vantagem desse modelo está em aproveitar a localização das lojas, que, em geral, é pulverizada pela cidade. Já o complicador está no gerenciamento dos estoques e na preocupação em não atrapalhar o público da loja física.

A alternativa a esse modelo é fazer a armazenagem, separação e envio dos pedidos através de um centro de distribuição exclusivo para o e-commerce. O modelo centralizado tende a aumentar o tempo de entrega, que pode ser compensado com o uso de sistemas de mapeamento de rotas e a utilização da capacidade total dos veículos, o que vai exigir a utilização de um sistema de agendamento, o qual consolida as entregas no momento em que os pedidos são feitos.

As dificuldades do comércio eletrônico de perecíveis não se restringe apenas à armazenagem, se estendendo também ao transporte. Com a variedade de itens a serem entregues, o ideal é que os caminhões sejam compartimentados, podendo transportar ao mesmo tempo itens refrigerados, congelados e secos. Outra opção é utilizar embalagens térmicas para garantir a temperatura dos itens refrigerados e congelados durante o transporte, embora essa solução leve a riscos, dependendo do tempo de deslocamento durante as entregas.

Recentemente, o Carrefour lançou em São Paulo uma novidade no modelo de entrega que já vem sendo utilizada nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. É uma espécie de drive-thru, em que o cliente vai de carro até uma das lojas da rede para retirar a compra realizada via e-commerce. Para o varejista, o modelo tira o peso da última milha, já que esta passa a ser feita pelo próprio consumidor.

Referências:

Supermercado Moderno – Veja como planejar a logística do seu e-commerce

Valor Econômico – Gôndolas digitais

Portal NoVarejo – Carrefour lança no Brasil entrega de alimentos via drive-thru

Gigantes do e-commerce investem em nova experiência de compra

Dominantes no mundo virtual, gigantes como Amazon, Alibaba e JD estão de olho no comércio de rua para uma nova revolução na experiência de compra dos consumidores. Em comum, o trio procura levar a tecnologia do mundo virtual para o espaço físico das lojas na tentativa de entrar com força no segmento de alimentos frescos.

Vídeo 1 – Veja como funciona uma loja da 7Fresh na China
Fonte: YouTube

Enquanto nos Estados Unidos, a Amazon apresenta a sua Amazon Go e adquiriu a rede de supermercados Whole Foods, no início desse ano, a JD lançou em Pequim a sua primeira loja futurística da rede 7Fresh. Assim como a Amazon Go, a 7Fresh oferece a possibilidade de pagamento via carteira digital, sem a necessidade de passar as mercadorias no caixa. Dentre as principais inovações da 7Fresh está o uso de um carrinho robô, que segue o cliente ao longo das gôndolas para coletar as compras. A loja ainda utiliza big data analytics para alinhar o seu sortimento de produtos com as necessidades do seu consumidor e conta também com Magic Mirrors, displays que apresentam informações sobre um produto assim que ele é retirado da prateleira pelo cliente.

Foto 1 – Carrinhos robôs da 7Fresh
Fonte: 7Fresh

A 7Fresh é uma resposta da JD à Hema, rede de supermercados da sua concorrente Alibaba. Atualmente, a rede possui 25 lojas na China, onde os clientes usam um aplicativo para buscar dados nutricionais, fornecedor, preço, dentre outras informações. Seguindo a tendência dos supermercados do futuro, as lojas da Hema também não têm caixa e os clientes pagam as compras utilizando o Alipay, carteira digital desenvolvida pelo grupo Alibaba.

Vídeo 2 – Faça um tour por uma loja da Hema
Fonte: Alibaba

Além das frutas frescas, do uso de aplicativos e de deixar de lado as caixas registradoras, 7Fresh e Hema trazem outra semelhança: todas oferecem entregas em 30 minutos nas casas dos clientes, variando apenas a distância máxima para a entrega. Caso não possa ir à loja para selecionar os produtos, não tem problema. As duas redes permitem também a compra virtual, com o mesmo sistema de entrega em 30 minutos. Nesse caso, funcionários recebem o pedido e fazem o picking e o packing na própria loja, no meio dos outros clientes. Por fim, um sistema de esteira rolante no teto das lojas leva os pedidos para um hub adjacente, que faz o envio dos itens para a casa do cliente.

Foto 2 – Funcionário da Hema pega o pedido online para fazer o picking na própria loja
Fonte: Alibaba

Tanta tecnologia, traz de volta uma questão à tona, pelo menos nos Estados Unidos: como ficarão os empregos dos funcionários de supermercado? Assim como em seus centros de distribuição recheados de tecnologia, a Amazon argumenta que seus funcionários continuam lá, apenas desempenhando outras funções, como ressuprimento da loja e suporte aos clientes, dentre outras funções.

Referências:

https://www.forbes.com/sites/jonbird1/2018/04/07/fixated-on-amazon-focus-on-alibaba-and-jd-com-instead/#16fa4fc58ebb

https://www.retaildetail.eu/en/news/food/say-hello-7fresh-jdcoms-high-tech-supermarket

Entrega rápida

Em meio à expansão do e-commerce no Brasil, é crescente a preocupação das empresas com a entrega dos produtos e serviços. Os motivos são fortes: os custos logísticos correspondem a 12,3% do PIB brasileiro, segundo pesquisa do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). Tais gastos representam, ainda, 7,6% da receita líquida das companhias, considerando transporte, estoque e armazenagem. Para contornar esse quadro, inovação e tecnologia ajudam a reduzir custos, melhorar processos e aumentar a produtividade. Nesse cenário, ganham força as startups com soluções voltadas para o setor de logística.

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Adidas se prepara para fortalecer seu e-commerce

A Adidas, uma das maiores fabricantes de materiais esportivos do mundo, anunciou recentemente planos de fechar um grande número de suas lojas físicas espalhadas globalmente para ampliar seu foco nas vendas digitais. A palavra veio do próprio diretor executivo, Kasper Rorsted, em entrevista ao Financial Times.

As motivações por trás dessa decisão não chegam a ser surpreendentes. A empresa busca um contato mais próximo com seus clientes, a eliminação de intermediários para a venda direta ao consumidor final, e segue tendência de gerar mais opções e comodidade para os seus clientes, como várias outras.

Figura 1 – Site será a principal loja da marca alemã – Fonte:Adidas

É interessante analisar, no entanto, os impactos que esse posicionamento poderá ter em seus modelos de atendimento. Hoje, a marca opera de forma mais próxima ao conceito de multicanal, com o site, lojas físicas, e distribuição a varejistas parceiros. O foco agora, no entanto deverá abraçar o conceito de omnichannel (já abordado tantas vezes aqui no Blog do ILOS), uma vez que as lojas físicas da Adidas se tornarão próximas a lojas conceito, os chamados showrooms. A loja online, por sua vez, deve também ser aprimorada para garantir que a experiência do cliente, que eventualmente não encontrará mais uma Adidas no shopping, seja tão boa quanto a que ele tinha antes.

Partindo então para o ponto de vista logístico, a marca precisará certamente rever sua estrutura atual, visto que o atendimento do cliente de forma direta é muito diferente do modelo tradicional com intermediários. O próprio Rorsted diz que “toda a logística é muito diferente”. Lembrei-me, ao ver esta notícia, do post sobre a Nike que o colega Alexandre Lobo escreveu há algum tempo. Se naquela ocasião, era destacado o grande CD na Bélgica da gigante norte-americana, imagino que para a nova estratégia da Adidas, seja essencial focar mais em uma estrutura mais pulverizada, e com práticas de resposta rápida para garantir o nível de serviço no atendimento direto.

E o que você acha do novo posicionamento da Adidas, bola dentro? E sua empresa, já pensou em usar mais a venda direta? Caso tenha, como isso impactaria sua estrutura logística?

 

Referências

http://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/7370798/adidas-quer-fechar-parte-das-lojas-para-investir-mais-site

O interessante modelo das “caixas-surpresa”

Um dos maiores problemas para a maioria dos profissionais de logística é certamente a imprevisibilidade. As inúmeras incertezas da cadeia de suprimentos fazem com que as empresas trabalhem com vários itens e embalagens diferentes (SKUs – Stock Keeping Units) que precisam ser produzidos e estocados com antecedência para atender a demandas pontuais, que podem surgir a qualquer momento, o que traz alta complexidade e custos elevados.

Nesse sentido, uma modalidade relativamente recente de comércio chama a atenção: os clubes de assinaturas que entregam produtos “surpresa” para assinantes. Um dos pioneiros e mais famosos é o Lootcrate, dos EUA, que oferece produtos como livros e bonecos, mas já há variedades que entregam vinhos (os Wine Clube), peças esportivas e até mesmo produtos para animais de estimação, como o DogBox, em todo o mundo.

Figura 1 – Serviços de clubes de assinatura entregam desde revistas e bonecos a vinhos (Fonte: LootCrate e Wine.com.br)

Em geral, estes clubes ou planos funcionam da seguinte forma: o cliente paga uma mensalidade (ou trimestralidade, ou anuidade) e recebe periodicamente em sua casa uma caixa com um ou mais produtos, que ele não sabia previamente quais seriam. O valor do serviço está na conveniência de o cliente não precisar constantemente acessar uma loja física ou online, ainda mais com a dificuldade de escolher produtos frente a tantas opções que temos atualmente. Além disso, há ainda o próprio fator surpresa da compra, que equivale à emoção de se estar ganhando um presente.

Para as empresas que oferecem este tipo de serviço, é possível alcançar uma diminuição considerável na complexidade de atendimento em comparação com uma venda tradicional online. Pense bem: a demanda, que é uma variável muito importante, mas imprevisível quando consideradas todas as fragmentações de SKU, cliente, locais e janela de tempo disponíveis, se torna muito mais simples de gerenciar uma vez que esta é agrupada em número de “caixas-surpresa”. A variação passa a ser apenas no número de clientes. Além disso, a maior parte da demanda é vista com grande antecedência, sabendo-se exatamente onde os clientes estão, o que facilita o planejamento de operações como o transporte.

Por fim, há ainda a facilidade de fornecimento. Como o cliente não conhece os produtos exatos que pode receber até o mês da entrega, a empresa pode se dar ao luxo de buscar no mercado itens que tenham custo menor de compra, que foram produzidos em excesso, etc., desde que consiga agradar aos seus assinantes com a escolha, claro. Geralmente, a procura pelos produtos é feita com diversos meses de antecedência, visando um planejamento mais eficiente, e a empresa pode contratar fretes de suprimento mais consolidados e sem necessidades de prazos rápidos.

É preciso ressaltar, entretanto, que a complexidade não acaba de vez com esse tipo de negócio. Recentemente esses serviços estão ficando mais diversificados, oferecendo diferentes pacotes, com variadas opções, como por exemplo, caixas que vêm só com camisetas, ou vinhos de uma faixa de preço específico. Há também um trabalho de marketing intenso para entender o gosto do consumidor e oferecer os itens certos para cada momento, e também para buscar os produtos no mercado. O maior número de competidores naturalmente também aumenta a pressão por custos mais baixos.

De qualquer forma, parece ser um modelo interessante, onde a maior imprevisibilidade para o consumidor se transforma em menor incerteza para os vendedores.

 

Referências

https://mashable.com/2013/08/14/loot-crate-gamers/#m9z_baEpKZqC

https://www.inc.com/jeff-haden/create-a-profitable-subscription-model-how-loot-cr.html

http://www.gazetadopovo.com.br/economia/10-clubes-de-assinatura-que-entregam-delicias-em-casa-cozbjqv60l6gjwl4ieiqjyp6z

Logística – Mais uma refém da violência

O tema da segurança pública ganhou os holofotes do noticiário ultimamente, com fatos notáveis como a intervenção federal no estado do Rio de Janeiro e a criação de um ministério exclusivo para a área. É um assunto de extrema importância e que infelizmente não tem obtido avanços no país, e além do medo que causa na população, ainda há um grande ônus para a logística também.

Já falamos no blog ILOS diversas vezes sobre o problema do roubo de cargas e sobre como os custos dos assaltos acabam prejudicando todos os elos da cadeia de suprimentos, e parece que a situação só piora. No ano passado, tanto a cidade de São Paulo quanto a do Rio de Janeiro bateram recordes nesse tipo de ocorrência. Alguns dados mostram a gravidade da situação. Na capital paulista, o número de assaltos anual cresceu 30% em relação a 2012. Já no estado do Rio, há uma média de 29 casos do tipo a cada dia, ou seja, mais de um por hora.

Este cenário traz complicações diretas para a logística. Um exemplo disso é o impacto nos serviços de Correios. A empresa anunciou que passará a cobrar uma taxa de R$3 adicionais para encomendas que passem pelo estado do Rio, sejam elas postadas ou entregues em território fluminense, com a justificativa de que houve um aumento nos custos para garantir a segurança. Um levantamento recente da Folha de São Paulo mostrou que, na capital paulista, quase um terço (29%) do território é considerado área de risco, onde as entregas são feitas com prazos maiores devido a necessidades especiais, como escolta armada, ou simplesmente não são feitas, cabendo ao destinatário coletar a encomenda em uma agência. Algumas empresas de e-commerce já até recusam a entrega em alguns CEPs de lugares com índices de violência maiores.

Figura 1 – Violência em alguns lugares do Brasil prejudicam serviços logísticos (Fonte da imagem: O Globo)

Os profissionais de logística trabalham arduamente para cumprir a missão de entregar produtos em áreas cada vez mais abrangentes, com menores prazos e custos, e com mais confiabilidade para os clientes, mas infelizmente a atividade é mais uma refém do grande perigo pelo qual o país passa.

 

Referências

https://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/roubo-de-cargas-no-rj-bate-recorde-em-2017-18012018

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/correios-vao-cobrar-taxa-extra-para-entregas-no-rio-devido-a-violencia.ghtml

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/12/1946271-violencia-restringe-entrega-de-produto-pelos-correios-em-29-da-cidade-de-sp.shtml

https://revistapegn.globo.com/Tecnologia/noticia/2017/08/e-commerces-comecam-evitar-areas-de-risco-no-rio.html

Segurança e gestão de riscos da cadeia de suprimentos

Perdas relativas à falta de segurança nas operações são bastante representativas em empresas de diversos setores do país. A Monica Barros já comentou no início do ano que o Brasil é considerado o sexto país com maior risco para o transporte de carga, algo que impacta consideravelmente o preço do frete. Entretanto, o roubo de cargas é apenas uma das possíveis perdas por falta de segurança na cadeia de suprimentos, além de furtos, ataques cibernéticos e pirataria, por exemplo. É importante frisar que independentemente da localização da empresa na cadeia, toda e qualquer perda por falta de segurança impacta diretamente o cliente final e, por consequência, todos os elos envolvidos em sua cadeia de suprimentos. Assim sendo, como cada empresa pode individualmente tentar minimizar esses prejuízos?

Figura 1 – Escolta armada em ação realizando um transporte de mercadorias no Brasil

 

É importante sempre alinhar o plano de segurança com o tipo de operação realizada pela empresa. Um varejista de loja física, por exemplo, tem os furtos, tanto a partir de clientes quanto de funcionários, como principais vilões em termos de segurança, tendo investimentos em sistemas de vigilância interna como mais adequados para diminuírem esse tipo de perda. Já varejistas de e-commerce e distribuidores sofrem consideráveis perdas com roubo de carga nas estradas, e em alguns casos também ataques cibernéticos. Assim sendo, investimentos em escoltas armadas e segurança digital são mais apropriados.

Todavia essas perdas por falta de segurança podem ser minimizadas, mas jamais chegarão a zero. Sempre haverá um ponto ótimo entre o total investido e o total de prejuízos evitados. Dessa forma, é de fundamental necessidade que todos os investimentos em segurança sejam acompanhados de um plano de gestão de riscos para a rotina de operação, que leve em consideração a magnitude das possíveis perdas e respectivas iniciativas de segurança. Seguros de cargas e/ou escolta armada somente para cargas acima de determinado valor são exemplos desse tipo de iniciativa.

A verdade é que, por muitas vezes, despesas com segurança são vistas como custos e não como investimentos. Despesas desse tipo bem alocadas podem gerar retornos financeiro consideráveis com a minimização das perdas de estoque, além de constituir uma vantagem competitiva robusta frente aos concorrentes.

E a sua empresa, possui um plano de segurança e gestão de riscos alinhados às necessidades do negócio? A segurança de uma cadeia de suprimentos é tão forte quanto a de seu elo mais fraco.

 

Referências

<http://www.scdigest.com/experts/Holste_17-09-27.php?cid=13069>

<http://www.ilos.com.br/web/roubo-de-carga-e-o-impacto-no-custo-de-transporte/>

Entrega de produtos dentro da sua casa: a nova aposta do e-commerce americano

A guerra pela melhoria do serviço no e-commerce parece não ter limites mesmo. Entrega no dia seguinte, no mesmo dia, em uma hora, em casa, no escritório e por drones, entre outras, já são alguns dos serviços desenvolvidos nos últimos anos. Os players desse mercado, porém, não estão de brincadeira quando se fala em aumentar a conveniência para o comprador.

A Amazon mostrou há pouco tempo o Amazon Key, serviço em que o entregador da empresa vai deixar o produto dentro da sua casa. Não na porta, ou numa caixa de correio, mas na mesa da sua sala, ou no corredor.  O ganho por trás da ideia é evitar que entregas tenham retorno por ausência do destinatário, o que também acarreta em custos para a empresa, ou que haja risco de furto da mercadoria, quando deixada em algum local de fácil acesso.  Não apenas produtos, mas até mesmos serviços como limpeza podem ser adquiridos. A nova modalidade já está disponível, a princípio limitado a 37 cidades americanas, e será restrito a assinantes do Amazon Prime.

Vídeo 1 – Amazon Key

Fonte: Amazon

 

Curiosamente, a gigante do e-commerce mundial parece estar até um pouco atrasada nesse quesito. Isso porque o Walmart anunciou em setembro que já testará a entrega não apenas dentro da casa do comprador, mas que também fará a arrumação dos itens nos locais apropriados, inclusive colocando na geladeira os alimentos frios e bebidas.

Figura 1 – Walmart quer entregar suas compras até a geladeira

Fonte: Walmart

 

Evidentemente, a principal preocupação das pessoas ao cogitarem a utilização desse tipo de serviço é com a segurança, afinal, elas estariam permitindo a entrada de estranhos em sua residência sem estarem presentes. Por conta disso, ambos os serviços exigem que o comprador possua uma Smart Lock, que requer autorização remota do dono da casa para entrada de pessoas, e uma Cloud Cam, que permite que o usuário acompanhe em tempo real os que acontece na sua casa durante a entrega. O kit proprietário da Amazon com os dois itens custa $250, o que também deve ajudar a custear a iniciativa.

E aí, o que achou? Gostaria de utilizar algum desses serviços? E qual serão as novas inovações do e-commerce?

 

Referências

https://www.tecmundo.com.br/produto/123460-amazon-lanca-servico-voce-monitorar-entrada-estranhos-casa.htm

http://fortune.com/2017/09/22/walmart-delivery-grocery/

Omnichannel ganha novo avanço com o Google

A venda multicanal, ou omnichannel, está ganhando um reforço de peso para levar mais opções ao consumidor brasileiro. Segundo reportagem desta semana do Valor Econômico (somente para assinantes), o Google está fechando parceria com empresas varejistas brasileiras para que os seus usuários saibam quais lojas possuem determinado produto em estoque e, em certo casos, possam, inclusive, reservar o produto para pegá-lo na loja no mesmo dia.

A ideia é simples: interessado em um produto, o consumidor pesquisa no Google, que fornece em seus resultados o nível de estoque da mercadoria procurada, dando preferência às lojas mais próximas do usuário. Pilotos do projeto já aconteceram em outros países, e o Brasil é o próximo da lista da empresa norte-americana, que já tem como parceiros Leroy Merlin, Magazine Luiza e as livrarias Saraiva e Cultura.

A intenção do Google é clara: atrair ainda mais os consumidores para o seu buscador e garanti-lo como uma parte fundamental no processo de compra. Embora o Google tenha mais de 90% do market share mundial de buscadores, gigantes como a Amazon têm sido a preferência direta de muitos consumidores quando o assunto é compras, principalmente em grandes mercados, como os Estados Unidos.

Para as empresas varejistas, a quebra de um paradigma, a exposição do seu nível de estoque para outras empresas, traz vantagens claras e outras subliminares. Sem maiores investimentos, elas conseguem acessar uma parcela cada vez maior de consumidores interessados em adquirir um produto a qualquer momento e tê-lo em mãos na hora e no lugar que lhe convier.

Essa é a vantagem clara para as empresas. A outra, menos explícita, e difícil de ser provada, é que, possivelmente, essas empresas terão uma forcinha extra nos resultados do buscador. Deixando de lado teorias da conspiração e pensando apenas friamente: o Google diz que busca oferecer o melhor para o seu usuário. O que é melhor: mostrar nas primeiras posições o link de um determinado produto na loja na qual o consumidor tem certeza que será atendido ou em uma loja qualquer na qual esse item pode estar fora de estoque?

Entretanto, para aproveitar as vantagens, as empresas vão precisar fazer o seu dever de casa, garantindo a precisão das informações. Atividades como planejamento da demanda e gestão dos estoques deverão receber atenção redobrada, para evitar o risco da ruptura de estoque ou, pior, de um cliente chegar na loja com a certeza de ter o produto e se decepcionar com a falta dele. Afinal, pior do que perder a venda é, além de perdê-la, deixar insatisfeito um possível cliente.

Correios apresentam desafios logísticos do e-commerce

O segundo dia do Fórum Internacional Supply Chain & Expo.Logística teve os Correios encerrando a programação apresentando os desafios logísticos que vêm enfrentando nas operações de e-commerce. Gerente regional de clientes de atacado, Marcelo Matos, junto com o analista de logística Ezio Costa, explicou a nova política comercial da empresa, com reorganização de portfólio e um maior foco nas necessidades do cliente. Dentre as novidades, está o serviço Correios Log +, voltado para pequenas contas e que promete redução de até 47% nos custos previstos anteriormente.

A programação desta quarta-feira começou com os consultores belgas, Pascal Janssens e Lionel Van Reet, da PWC, apresentando as vantagens da região de Flanders no acesso ao mercado europeu. Localizada a 500 km de 60% do mercado consumidor do continente, Flanders promete ainda vantagens fiscais e estabilidade legal para quem pretende expandir as suas operações no exterior. Por fim, Janssens e Van Reet trouxeram cinco cenários para explicar as diversas opções que as empresas brasileiras podem aproveitar para iniciar sua caminhada na Bélgica.

logística internacional - blog ilos

Dentre as diversas palestras da programação, o dia contou ainda com a participação da professora da Universidade Técnica de Berlim, Juliana Campos, que explicou os benefícios das parcerias como estratégia para diferenciação e competitividade dos negócios. Juliana falou da relação estreita que existe na Alemanha entre universidades e indústrias e ressaltou que o mundo está na era do compartilhamento de recursos e de co-criação de soluções. Por fim, ela ainda apresentou o resultado do seu projeto junto à universidade alemã para diagnosticar as práticas atuais de sustentabilidade no supply chain de empresas brasileiras e alemãs e identificar oportunidades para possíveis colaborações entre empresas nos dois países.

O Fórum Internacional Supply Chain & Expo.Logística acontece de 19 a 21 de setembro, no hotel Tivoli Mofarrej, na capital paulista. O evento conta com o patrocínio de Sequoia Soluções Logísticas, Manhattan Associates e Correios Log, além de Souza Cruz, Llamasoft, FedEx, AT Kearney, Flanders Investment Trade, Schafer, Mafra, Plannera, JDA, TruckPad, Delage e Knapp.