Henrique Alvarenga - ILOS

Quanto manter em estoque: novos produtos

Em um post anterior, a Beatris Huber explica as cinco funções de estoque, descrevendo porque eles existem, em quais casos são empregados e seus objetivos. Para definição dos estoques de ciclo e de segurança é necessário ter em mãos, dentre alguns dados, a demanda do produto. Se soubermos esta informação com antecipação, como no caso de uma encomenda, saberemos qual será a demanda futura de maneira direta. Podemos, ainda, através dos registros de vendas históricas, realizar uma previsão da demanda através de métodos matemáticos. Mas existem casos em que não temos a demanda futura nem a demanda histórica como, por exemplo, no lançamento de novos produtos. Neste caso, quanto devemos manter em estoque?

Existem dois casos: o primeiro deles é o lançamento de novos produtos que possuam antecessores similares (inovações incrementais) como, por exemplo, um novo sabor de suco sendo adicionado a um portfólio já existente, de vários outros sabores. Neste caso, é possível utilizar a curva de demanda de um SKU já existente (um suco de outro sabor), analisar os dados de ramp up do início de seu ciclo de vida, atualizá-los baseado em dados e expectativas de mercado e planejar a demanda do novo produto conforme esses valores.

estoque de novos produtos - produtos similares - blog ILOS

Figura 1 – Lançamento de produtos similares podem ter demanda futura baseada na demanda histórica de produtos da mesma família.

Fonte: Wikimedia Commons

 

O segundo caso ocorre para inovações disruptivas, quando não existem produtos similares com os quais se possa estimar uma relação ou um paralelo. Neste caso, teremos duas dificuldades: a primeira é a inexistência de dados históricos para estimar o comportamento futuro. O segundo é a respeito da modelagem, pois utilizar a tradicional curva normal pode não ser o mais indicado, visto não ser possível afirmar que um produto, em seu lançamento, terá este comportamento. Serão apresentados a seguir sugestões de como lidar com estas duas dificuldades.

Para o problema de ausência de dados históricos, uma sugestão seria o uso da técnica Delphi, um método sistemático de comunicação, em que são convocados especialistas do processo para responderem questionários a respeito de suas convicções sobre quais valores de demanda um certo produto pode assumir. Desta forma, seriam obtidos valores de referência para ser utilizados. Em posse de informações de qual seria o mínimo e o máximo de demanda para o novo produto, por exemplo, seria possível traçar uma curva uniforme, conforme figura 2. A partir da definição de qual o nível de serviço que se quer oferecer, a quantidade mantida em estoque Q pode ser definida a partir da equação a seguir.

estoques de novos produtos - curva uniforme - blog ILOS

Figura 2 – Curva uniforme com valores máximo e mínimo esperado para o lançamento de um novo produto.

Fonte: ILOS

 

estoques de novos produtos - fórmula - blog ILOS

Além da curva uniforme existem uma série de outras possibilidades, a partir de curvas padronizadas que consideram um conjunto de variáveis (criticidade, resposta da concorrência, absorção, etc) para definição dos valores. A escolha entre utilizar uma curva uniforme, exponencial ou logarítmica, por exemplo, vai depender da experiência dos gestores e especialistas da área envolvida. Alguns softwares de planejamento e gestão de estoque podem também sugerir curvas em seus próprios bancos de dados.

Cabe ressaltar que tal definição não convém para produtos de baixo ou baixíssimo giro. Nestes casos, como o valor das peças são geralmente altos, a manutenção do estoque pode ser impeditiva e tal método para planejamento e gestão de estoque não é aplicável.

Referências:

WANKE, Peter. Gestão de estoques na cadeia de suprimento: decisões e modelos quantitativos . Editora Atlas SA, 2000.

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