Origens e destinos de cargas no Brasil: Principais fluxos de movimentação por tipo de mercadoria

As agências governamentais brasileiras têm buscado aperfeiçoar seus sistemas de registro de dados. Os sites da ANTAQ, ANTT e ANP atualmente dispõem de bases de dados online para consulta e download das movimentações aquaviárias, ferroviárias e dutoviárias. Porém, para o principal modal utilizado atualmente, responsável por 65% de toda movimentação de carga, não há registro das rotas e volume de movimentação realizada em nenhuma agência oficial do Brasil.

Para suprir esse gap de informação e entender melhor o comportamento dos fluxos de transporte no país, a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) em parceira com o IPEA desenvolveu uma pesquisa em 2015, divulgada em 2017, para mapear os fluxos de carga no país, especialmente no modal rodoviário.

Essa pesquisa foi posteriormente complementada com os volumes de navegação e movimentações ferroviárias e dutoviárias, gerando uma matriz origem-destino de movimentação de carga, segmentada em 4 grupos de mercadorias: granel sólido agrícola (soja e milho), granel sólido não agrícola (minério de ferro, carvão e cimento), carga geral e granel líquido (combustíveis).

No mapa abaixo é possível visualizar o resultado da pesquisa, com os fluxos mais representativos por tipo de carga e modais de transporte.

 

Movimentação de todos os modais de transporte com todos os grupos de mercadorias

Fonte: Transporte inter-regional de carga no Brasil – Panorama 2015 – EPL

 

Granéis Sólidos Agrícolas

Os maiores fluxos de granéis, tanto agrícolas quanto minerais, são para exportação. Para os agrícolas, a origem é a região centro-oeste, grande produtora de soja e milho, seguida da região sul. A exportação a partir do Mato Grosso representou cerca de 18% do total movimentado de granéis agrícolas em 2015. As rotas mais representativas a seguir são as de exportação a partir do PR (8%), RS (7%) e MS (5%).

Através do mapa, nota-se a concentração do escoamento da produção pelos portos de São Paulo, com forte utilização da ferrovia da Rumo entre os estados de SP e MT e caminhões.

 

Principais Fluxos de Granéis Sólidos Agrícolas – Top 20 (em milhões de toneladas)

Fonte: EPL – Pesquisa Matriz OD de Carga (Média 2015). Análises ILOS

 

Granéis Sólidos Não Agrícolas

Os maiores fluxos partem do Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais e de Carajás no Pará, regiões fortes na produção de minérios. A exportação a partir de MG e a partir do PA são responsáveis por 22% e 18%, respectivamente, do volume total de granéis não agrícolas. Os fluxos domésticos do estado de Minas para os estados do RJ e do ES representam 18%. Todas as demais rotas possuem menos de 8% de representatividade.

O escoamento ocorre principalmente pelas ferrovias EFC (Estrada de Ferro Carajás) para o terminal portuário de Ponta da Madeira (MA), EFVM (Estrada de Ferro Vitória-Minas) para Tubarão (ES), e pela Ferrovia do Aço (MRS) entre Minas Gerais e os terminais de Ilha da Guaíba e Itaguaí no RJ.

 

Principais Fluxos de Granéis Sólidos Não Agrícolas – Top 20 (em milhões de toneladas)

Fonte: EPL – Pesquisa Matriz OD de Carga (Média 2015). Análises ILOS

 

Carga Geral

A categoria mais representativa depois dos granéis não agrícolas é bastante movimentada por rodovias, principalmente dentro da região sudeste, maior produtora e consumidora deste tipo de mercadoria. Dentre as ferrovias, destaca-se a Rumo no trecho sul, entre SP e PR. Também é realizado transporte por cabotagem e pelo modal hidroviário no norte, para garantir que a região, apenas acessada por rios, seja suprida de alimentos e bens de consumo.

Em termos de volume, as 5 maiores rotas são: SP-SP (9,1%), SP-Exportação (4,4%), MG-SP (2,6%), SP-MG (2,3%) e PR-SP (2,1%).

 

Principais Fluxos de Carga Geral – Top 20 (em milhões de toneladas)

Fonte: EPL – Pesquisa Matriz OD de Carga (Média 2015). Análises ILOS

 

Granel Líquido

Observa-se a alta representatividade dos combustíveis na cabotagem. Como a maior parte dos derivados de petróleo são produzidos no sudeste, faz-se necessária a cabotagem, por ser o modal de menor custo e de alto volume, para suprir a demanda das regiões norte e nordeste.

Porém, as maiores rotas de granéis líquidos ainda são dentro da região sudeste, devido ao próprio tamanho do mercado na região, cuja movimentação é realizada por dutos da Transpetro e posteriormente por rodovias e ferrovias para o escoamento para o interior do país.

Há grande concentração dentro de São Paulo, estado com a maior concentração de refinarias e consequentemente maior produtor.  O volume equivale à 13% da movimentação total. O 2ª maior fluxo é o de importação para SP (6%).

 

Principais Fluxos de Granel Líquido – Top 20 (em milhões de toneladas)

Fonte: EPL – Pesquisa Matriz OD de Carga (Média 2015). Análises ILOS

Todas as informações de volume citadas foram extraídas através da análise do estudo e da matriz OD da EPL. Mais detalhes sobre o estudo podem ser encontrados no website da EPL: www.epl.gov.br

Referências:

http://epl.gov.br/transporte-inter-regional-de-carga-no-brasil-panorama-2015

http://epl.gov.br/matrizes-do-transporte-inter-regional-de-carga-no-brasil