Henrique Alvarenga - ILOS

Logística Reversa em Hospitais: o caso do Hospital Moinhos de Vento

No mês de setembro ocorreu o XXIII Fórum Internacional de Supply Chain em São Paulo, reunindo os principais especialistas e empresas do setor. Ao longo dos três dias, ocorreram palestras, workshops e cases sobre os mais variados temas, desde empreendedorismo com as start-ups mais inovadoras do mercado até a execução de estratégias omnichannel com líderes de suas indústrias.

Uma das palestras que mais chamou a atenção foi sobre o setor de saúde, mais especificamente sobre a logística reversa em hospitais. Ela foi apresentada pelo Hospital Moinhos de Vento, que fica em Porto Alegre e é um dos principais hospitais privados do país. Em um setor que movimentou, em 2014, R$ 496 bilhões, representa 10% do consumo de energia do país e gerou mais de 10 mil toneladas de resíduos em 2015, o HMV promoveu algumas iniciativas inovadoras para reciclagem e reaproveitamento dos resíduos hospitalares.

Quando se fala em responsabilidade social e ambiental corporativa, o primeiro ponto que devemos ter atenção é o chamado Triple Bottom Line, que aponta os três pilares que as empresas devem sempre buscar: i) o social, entendendo que a sociedade, seja ela representada pela população do entorno da empresa, clientes ou funcionários, devem ser respeitados; ii) o ambiental, dado que os recursos naturais não são infinitos e são fundamentais para as operações das empresas; e iii) econômico, pois as empresas e projetos devem fundamentalmente gerar lucros. Tendo em vista estas três prerrogativas, é sempre um desafio buscar iniciativas que tenham objetivos ambientais e sociais, mas que também sejam viáveis economicamente.

Figura 1 – Triple Bottom Line

Fonte: ILOS

 

O HMV conseguiu, em seu projeto de criação de uma Central de Transformação de Resíduos, atender ao Triple Bottom Line através da criação de processos de coleta, triagem, tratamento, armazenamento e geração de valor, que investiu R$ 1,5 milhão e tem capacidade de tratar 2 mil toneladas de resíduos por ano.

O processo de descarte, que antigamente era majoritariamente direcionado para aterros sanitários, hoje é diferenciado para cada tipo de resíduo. Os papéis, por exemplo, que são usados em abundância em hospitais, estão sendo coletados nas diversas áreas administrativas, para depois serem levados a um parceiro, que os transforma em papel higiênico para serem utilizados nas próprias áreas administrativas do hospital. Materiais plásticos, como polipropileno e pet, são triturados e acondicionados para depois serem transformados em vassouras e sacos plásticos, também com auxílio de parceiros. Os restos de alimentos se transformam em adubos usados na horta do próprio hospital, criando um ciclo fechado de reaproveitamento. Por fim, os resíduos mais críticos, chamados de grupo A ou infectantes: primeiro são esterilizados, em seguida triturados e processados para geração de células de energia, que são posteriormente utilizadas na geração de gás para o aquecimento da água do hospital.

Além dos benefícios ambientais e sociais advindos do direcionamento e processamento dos resíduos, o hospital já economizou mais de R$ 300 mil em seis meses. Dado os investimentos, os gestores do hospital informaram que o payback deste projeto é de menos de um ano, o que aponta para a viabilidade econômica da iniciativa.

A criação de um método que agregasse valor aos resíduos hospitalares configura uma interessante inovação no setor de saúde, que poderia ser replicado em outros players do setor. Para mais informações sobre logística reversa, indico o post da Gisela sobre o custo ambiental e a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e também os Panoramas da coleção ILOS: Logística Reversa e Logística Verde.

 

Referências:

Apresentação Hospital Moinhos de Vento no XXIII Fórum Internacional de Supply Chain