Mauricio Lima - ILOS

Gestão da frota amplia competitividade

Em tempos de crise, em que é preciso aliar menor custo operacional à maior produtividade e rentabilidade, a tecnologia tem sido uma grande aliada na gestão mais eficiente da frota. Um exemplo é o AngelLira FOX 3.0, lançado há um mês pela AngelLira, que há 15 anos atua no monitoramento de risco, gestão de operações logísticas e controle de jornada do motorista. Com 2 mil unidades já instaladas, o equipamento auxilia a parte logística de transportadoras e embarcadoras com uma redução de cerca de 10% o custo total do transporte.

“A preocupação de como melhor gerir os processos é cada vez maior e as ferramentas tecnológicas melhoram a gestão do negócio, pois dão visibilidade ao que está acontecendo”, diz Pablo Aguerre, diretor de operações da AngelLira, que gerencia cerca de 2,5 milhões de viagens ao ano e tem sede em Chapecó, Santa Catarina.

Maurício Lima, sócio­executivo da Ilos, especializada em planejamento, estruturação e implementação de operações de logística e supply chain, também ressalta a importância da gestão da frota num cenário de queda na demanda. “A retração de 3,3% neste ano deixou muito caminhão ocioso. Com isso, a eficiência e a produtividade sofrem”, afirma.

Para Aguerre, um dos grandes desafios do setor é fazer a gestão da jornada de trabalho dos motoristas. “A legislação é complexa e a tecnologia pode garantir que o motorista trabalhe de acordo com o que prevê a lei”. Na avaliação de Lima, outro ponto importante é a capacitação dos funcionários. “A tecnologia embarcada nos caminhões requer treinamento da mão de obra”, afirma.

A White Martins, que tem 59 plantas dedicadas à produção de líquidos no Brasil, cerca de 5 mil clientes e faz por volta de 20 mil entregas mensais, tem investido bastante na capacitação dos seus profissionais. O motorista tem de passar por um processo de certificação de 60 ou 90 dias em que, por exemplo, aprende sobre direção defensiva e manejo de carga e descarga dos caminhões.

“Atuamos em duas frentes: entrega de cilindros e de produtos em estado líquido em baixíssima temperatura”, explica Marcos Guimarães, diretor de logística da White Martins para a América Latina. Uma das soluções inéditas usada pela empresa no Brasil para transporte de gases criogênicos é o TWM­ 29, o primeiro carro­tanque que tem um eixo direcional a mais no cavalo mecânico, o que aumenta sua capacidade de executar manobras, e tanque de 29 mil litros, que eleva capacidade de estocagem e transporte. O veículo permite uma economia no consumo de diesel de 7 mil litros/ano, o que evita a emissão de 20 toneladas de gases causadores do efeito estufa. “Desde setembro, já temos duas carretas em operação e esperamos substituir todos nossos veículos em cinco anos. Segundo ele, a companhia também usa uma série de ferramentas, como a telemetria, que monitora e rastreia o processo de transporte e entrega de carga, e a gestão do estoque dos clientes para avaliar quando o reabastecimento será necessário.

A TNT tem adotado estratégias de otimização de custos eliminando despesas e ineficiências e buscando melhora operacional de seus processos. A empresa redefiniu a carteira de clientes, a estratégia de vendas, a ocupação da sua malha de entrega e investiu em tecnologia. “Também fizemos uma avaliação para definir os segmentos­chave de atuação, escolhendo os setores que agregam eficiência e sinergia às operações e aumentam a produtividade”, explica Ignacio Garat, presidente da TNT no Brasil.

Segundo Garat, a TNT investiu, em 2015, R$ 39 milhões na aquisição de 237 veículos. A média de quilometragem mensal da empresa aumentou de 15 mil quilômetros para 20 mil, o que permitiu uma redução de 1.943 toneladas anuais nas emissões de gases nocivos ao meio ambiente.

Já a TNT Express, unidade de negócios de transporte internacional da empresa, aplicou R$ 1,3 milhão na renovação de 58% dos veículos. Houve a substituição de carros por motos em sete rotas de São Paulo e Rio de Janeiro, o que aumentou a produtividade em 30%.

Fonte: Valor Econômico

Por: Lia Vasconcelos