Gerenciamento de Riscos na Cadeia de Suprimentos

Uma cadeia de suprimentos abrange todas as organizações e as atividades associadas com o fluxo e a transformação de bens, desde o estágio de matérias primas até o consumidor final, com o fluxo financeiro e de informações associados. Todas as companhias pertencem, pelo menos, a uma cadeia de suprimentos, e, portanto, não existem isoladamente, mas interconectadas com outras operações.

Fatores como a globalização, o aumento da terceirização e a crescente demanda por produtos de maior qualidade e melhores níveis de serviço, têm tornado as cadeias de suprimentos cada vez mais complexas, e com o aumento da complexidade, também cresceram a vulnerabilidade e os riscos de ruptura.

Cadeias de suprimentos ágeis e resilientes representam uma importante vantagem competitiva, e para lograr tal resiliência, gerenciar os riscos é parte fundamental.

Segundo o Guia PMBOK® (Project Management Body of Knowledge), o gerenciamento dos riscos inclui os processos de planejamento, identificação, análise qualitativa e quantitativa, planejamento de respostas e monitoramento e controle, conforme a Figura 1.

Figura 1: Visão geral do gerenciamento dos riscos
Fonte: PMBOK, adaptado por ILOS

 

1. Planejar o gerenciamento dos riscos: Processo de elaboração do plano de gerenciamentos dos riscos, que, entre outras informações, vai conter a metodologia a ser utilizada, os papéis e responsabilidades, as categorias de riscos e as definições de probabilidade e impacto.
2. Identificar os riscos: Determinação dos principais riscos que podem afetar a cadeia e quais são as respostas potenciais. Para coletar as informações, técnicas como a Delphi, brainstorming, entrevistas e análise de causa-raiz podem ser de muita utilidade. Os riscos das cadeias de suprimentos podem ser classificados em três categorias: internos à empresa (processos e controle); externos à empresa, mas internos para a cadeia (fornecimento e demanda); e externos à cadeia (eventos sócio-políticos, desastres naturais, etc.). Como exemplos, no setor de transporte, a Monica Barros falou no Blog de um risco muito importante no Brasil, o roubo de carga, e a Maria Fernanda Hijjar tratou da falta de transportadores disponíveis, especialmente em períodos de pico de demanda.
3. Realizar a análise qualitativa dos riscos: Processo de priorização dos riscos segundo uma avaliação qualitativa de sua probabilidade de ocorrência e impacto. Uma ferramenta muito utilizada para tal fim é a matriz de probabilidade e impacto, conforme Figura 2.

Figura 2: Exemplo de Matriz de probabilidade e impacto
Fonte: ILOS

4. Realizar a análise quantitativa dos riscos: Para os riscos que justifiquem tal análise, se estima numericamente o efeito dos mesmos na cadeia, com o intuito de respaldar a tomada de decisões. Entre as técnicas mais utilizadas estão a análise do valor monetário esperado, modelagem e simulação e análise de sensibilidade.
5. Planejar as respostas aos riscos: Neste processo, procura-se desenvolver alternativas que permitam aumentar os riscos positivos (oportunidades) e minimizar os riscos negativos (ameaças). As estratégias possíveis para riscos negativos são eliminar, transferir e mitigar. Já os riscos positivos podem-se explorar, compartilhar ou melhorar. Aceitar é outra estratégia possível, tanto para ameaças quanto para oportunidades. Ao planejar as respostas, é muito importante designar um responsável para cada risco.
6. Monitorar e controlar os riscos: É o processo de monitoramento dos riscos identificados, caso necessário, de implementação das respostas planejadas, acompanhamento dos riscos residuais, identificando novos riscos e avaliando a eficácia do gerenciamento de riscos.
Em relação a como as empresas efetivamente lidam com o gerenciamento de riscos, a pesquisa “Gestão de riscos e RIs”, realizada pela empresa Deloitte, mostra que, no ano 2016, quase 60% das empresas tinha uma política formalizada de gerenciamento de riscos, sendo que, dessas empresas, aproximadamente um terço a tinha implementado havia menos de um ano. Entre as empresas que não tinham uma política formalizada, mais do 60% tinha planos de implementá-la, o que demostra o crescente interesse das organizações no tema.

Figura 3: Existência de política formalizada de Gerenciamento de Riscos
Fonte: Deloitte, 2016

Práticas efetivas de gerenciamento de riscos diferenciam as cadeias de suprimentos que vão conseguir driblar as ameaças e melhor aproveitar as oportunidades das que não. Caso a sua empresa ainda não tenha uma política de gerenciamento de risco, chegou o momento de refletir sobre o assunto.

Referências

HANDFIELD, Robert B.; NICHOLS JR, Ernest L. Supply chain redesign: converting your supply chain into integrated value system. Upper Saddle River, NJ : Financial Times Prentice Hall, 2002.

CHRISTOPHER, M.; PECK, H. Building the resilient supply chain. International Journal of Logistics Management, v. 15, n. 2, 2004.

OLIVEIRA, U.; MARINS, F.; Rocha, H.; Salomon, V. The ISO 31000 standard in supply chain risk management. Journal of Cleaner Production, v. 151, p. 616-633, 2017.

PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK®). 5ª edição, 2013.

DELOITTE. Gestão de riscos e RIs: Evolução contínua para criar e preservar valor nas relações com investidores, 2016. http://www.ibri.com.br/Upload/Arquivos/enquete/3838_Pequisa%20IBRI%20e%20Deloitte_2016.pdf

BARROS, MONICA. O roubo de carga e o impacto no custo de transporte. Blog ILOS, 17/03/2017.

HIJJAR, MARIA FERNANDA. Desafios da contratação de transportadores em 2018. Blog ILOS, 06/02/2018.