rodrigo arozo - ILOS

Falhas na gestão no setor de Saúde

Falhas na gestão podem causar prejuízo de até R$ 2 bilhões ao faturamento de empresas distribuidoras de medicamentos no país, revela pesquisa sobre a cadeia de suprimentos do setor de saúde, produzida pela consultoria especializada em logística Ilos. O estudo analisou laboratórios, distribuidoras e farmácias e cerca de 3 milhões de pedidos eletrônicos por 47 mil pontos de vendas.

As empresas do setor perdem dinheiro porque organizam mal os seus estoques, compram medicamentos desnecessários e deixam de vender alguns por falta de reposição, segundo o executivo para a área de bens de consumo da Ilos, Rodrigo Arozo. Drogarias no interior dos Estados e aquelas que não pertencem a redes são as mais afetadas por esses problemas de gestão, mostra o levantamento.

“Farmácias independentes têm um nível de falha de produtos maior, porque têm a gestão menos profissionalizada. As vezes não têm nem capital de giro para ter estoque de todos os produtos”, disse o executivo.

O estudo analisou 3 milhões de pedidos e constatou que 14% deles não foram entregues porque nenhum distribuidor tinha o produto. Um problema que gera prejuízo de 8% no faturamento dessas empresas.

Ao mesmo tempo em que faltam alguns tipos de medicamentos nas prateleiras das drogarias, sobram outros nos estoques da cadeia farmacêutica. Segundo Arozo, a quantidade de remédios guardados em laboratórios, distribuidores e farmácias é superior a cinco meses de consumo.

“O laboratório está acostumado a empurrar o produto e as farmácias compram os remédios que estão com desconto, mesmo que não tenham necessidade”, afirmou o executivo da Ilos. Ou seja, remédios são comprados mesmo sem necessidade, apenas para obter descontos.

O resultado é que quase metade dos medicamentos de baixo giro, aqueles que vendem pouco, estão em falta nas farmácias do país, segundo a pesquisa da Ilos. Essa proporção é bem menor nos produtos de alto giro, 19%. “O estoque empurrado pelos laboratórios não necessariamente é o melhor, é preciso fazer uma gestão melhor”, concluiu Arozo.

A pesquisa da consultoria foi realizada nos últimos três meses, mas não avaliou os impactos da crise na cadeia de distribuição farmacêutica.

Fonte Valor Econômico

Por Robson Salles