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Copa impulsiona transporte marítimo no Brasil

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Movimentação de equipamentos eletrônicos aquece a cabotagem. Mas setor precisa de incentivos do governo para ganhar mercado de cargas

São Paulo – Em consolidação no Brasil, a navegação entre portos marítimos do mesmo país, a chamada cabotagem, representa 9,6% da matriz nacional de transporte. Hoje, a movimentação de cargas líquidas, principalmente combustíveis, responde por 70% da atividade do setor. Entretanto, o destaque de expansão tem sido a cabotagem de carga geral, feita em contêineres, que avança 15% nos últimos oito anos.

Tal segmento foi impulsionado no primeiro trimestre deste ano pela Copa do Mundo. “O fluxo de descida, que abrange principalmente o transporte de eletrônicos [basicamente televisores] de Manaus para as regiões Sul e Sudeste teve um aumento de 50% nos três primeiros meses do ano”, afirmou o presidente da Mercosul Line, unidade de cabotagem da Maersk, Roberto Rodrigues. O executivo comemora o crescimento de dois dígitos no volume de carga transportada no período, o que caracterizou o melhor trimestre da última década para a navegação costeira.

No entanto, o movimento pontual não deve beneficiar a atividade de cabotagem no médio ou longo prazo. De acordo com o sócio executivo da consultoria Ilos, André Zajdenweber, problemas estruturais atrapalham o desenvolvimento setor. “O avanço de 15% ao ano na cabotagem de carga geral se explica pela baixa base de comparação. Há 15 anos, essa atividade era praticamente nula”, disse. Hoje, são movimentadas cerca de 27 milhões de toneladas de carga geral por ano, o que é considerado um volume pequeno.

Zajdenweber explica que a cabotagem é muito utilizada no Brasil para o transporte de combustíveis da Petrobras. “Não há uma oferta de serviços consistente, com poucas empresas operando, problemas de prazo e incertezas na atracação. Então é difícil para as empresas confiarem as mercadorias para a cabotagem. Por outro lado, as companhias de navegação não investem no aumento de frota porque a demanda é baixa”, avaliou o consultor.

Para que o cenário se torne mais favorável, Zajdenweber diz ser preciso desburocratizar o controle de carga. Na cabotagem, as mercadorias passam pelos mesmos processos de liberação obrigatórios para a exportação. Outro entrave é a menor preferência dos portos para receber os navios de cabotagem, uma vez que a atividade é menos rentável que os contêineres de importação e exportação.

Há três anos, no entanto, os portos adotaram o sistema batizado como “janela”, que divide a semana em uma grade de atracações. Os navios têm horário certo para entrar e sair, o que otimiza o cumprimento dos prazos de entrega das mercadorias. “É uma melhoria, mas alguns portos operam com capacidade total e não dão prioridade para os navios de navegação costeira”, argumenta Zajdenweber.

Outro impeditivo é o alto custo de abastecimento. O preço do combustível dos navios não é subsidiado como o diesel e praticamente dobrou nos últimos dez anos. Rodrigues, da Maersk, conta que, para amenizar o problema, desde o ano passado, os navios passaram a navegar mais devagar e parar em menos portos para economizar combustível.

Fonte: Brasil Econômico
Por Priscilla Arroyo