Como o lançamento do satélite brasileiro pode ajudar na logística?

No início de maio de 2017 foi lançado o primeiro satélite controlado inteiramente pelo governo brasileiro, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Com esse novo projeto, o Brasil deixará de alugar satélites de empresas privadas, além de ampliar a capacidade de telecomunicações e a cobertura de serviços de internet banda larga no Brasil. O foco será a oferta de banda larga para áreas de difícil acesso e o fornecimento de um meio mais seguro para transferência de informações civis e militares.

Saiba mais sobre o lançamento do satélite na reportagem a seguir:

https://globoplay.globo.com/v/5847163

Esta é uma notícia animadora para os entusiastas da Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT), que pode ser definida como rede de coisas que se comunicam sem interação humana usando conectividade IP. A IoT é uma tendência com muitas oportunidades de aplicação na logística e no supply chain management. Ela pode ajudar trazendo mais valor para o cliente, contribuindo para a entrega do produto na forma, no tempo e no lugar mais adequados e, principalmente, viabilizando o fornecimento das mais variadas informações por meio de tecnologias de rastreamento, sensores e conexão. Por outro lado, a IoT também pode contribuir com o aumento de eficiência e redução dos custos na cadeia, ajudando com a redução dos desperdícios, otimização dos fluxos de produtos e materiais e otimização da alocação dos recursos por meio do uso da informação em tempo real. Por exemplo, imagine um armazém em que as empilhadeiras autônomas estejam conectadas entre si e, por meio de sensores, registrem sua utilização. Essa informação pode ser usada para otimização do uso e minimização de ociosidade das empilhadeiras, para agendamento de manutenção, para otimização de rotas, etc.

Apesar da expectativa de rápido crescimento dessa tecnologia (existem, atualmente, cerca de 20 bilhões de dispositivos conectados no mundo e a expectativa é que este número chegue a 75 bilhões em 2025 como pode ser visto no gráfico a seguir), ainda há algumas barreiras para seu pleno desenvolvimento. Os obstáculos para a evolução da IoT são a segurança da informação, a confiabilidade das conexões, a otimização do uso dos dados, a falta de padronização dos dados e a complexidade de gerenciamento, que pode se apresentar de diferentes formas: fragmentação do supply chain e de sistemas, diversificação de padrões e tecnologias, necessidade de mudar processos organizacionais fundamentais, falta de experiência no desenvolvimento de produtos e serviços conectados, ambientes regulatórios incertos e dificuldade de cálculo do retorno sobre o investimento.

 

Fonte: Forrester, The Internet Of Things Heat Map, 2016

 

 

O lançamento do SGDC promete atacar pelo menos um desses obstáculos viabilizando a evolução da IoT no Brasil. A confiabilidade das conexões, fundamental para garantir a internet das coisas é, atualmente, um problema muito representativo no Brasil, que apresenta muitas áreas descobertas e está em uma posição muito baixa no ranking mundial de qualidade de conexão. Com o fornecimento de banda larga em áreas remotas do país e o aumento da segurança na transferência das informações, o satélite brasileiro pode ser um viabilizador do uso da internet das coisas nas cadeias de suprimentos brasileiras.

A vida útil do satélite é de 18 anos. Como será a evolução da logística no Brasil durante este período?

 

Referências:

www.ilos.com.br/web/internet-of-things-iot-e-nanotecnologia-aonde-iremos-chegar-em-supply-chain-management/

http://www.ilos.com.br/web/internet-das-coisas-iot/http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/governo-lanca-satelite-que-permitira-acesso-a-banda-larga-em-areas-remotas.ghtml

https://www.cloudera.com/content/dam/www/static/documents/analyst-reports/forrester-the-iot-heat-map.pdf